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literatura & diarices

Boudicca, uma rainha celta para ser lembrada

Os corvos de Avalon
Diana L. Paxson
480 páginas
Rocco
Ano de publicação: 2009 

Sobre o que é: o livro conta a conquista romana da Bretanha e a rebelião conduzida pela rainha Boudicca, a guerreira celta, e por Lhiannon, a sua jovem mentora na ilha dos druidas. Quando o exército do Império conquistou o reino Iceno, no século I D.C., Lhiannon enfrentou-o enquanto Boudicca acabou por se casar com Prasutagos, o Rei Supremo dos Icenos, que governou como rei cliente de Roma. Após um acontecimento terrível, Boudicca assume a liderança das tribos dos britões e parte contra Roma em busca de vingança. 

Por que ele é bom? Para entender por que esse livro é bom é primeiro preciso compreender que o que a Diana L. Paxson fez foi escrever um romance histórico. A rainha celta que esteve à frente de uma das maiores rebeliões contra o Império Romano realmente existiu e, apesar de daquela época não haver restado muitos registros históricos, há evidências suficientes para que Diana conseguisse montar um livro contando a história dessa rainha destemida. 

Mas como Diana era amiga próxima de Marion Zimmer Bradley, a autora de As Brumas de Avalon, ela entrelaçou a história de Boudicca com a mitologia de Avalon e dos druidas, colocando a deusa celta Morrigan no pano de fundo da história e como motivadora da ira de Boudicca. Marion e Diana haviam discutido diversas coisas do livro e já estavam esquematizando a escrita do mesmo, mas então Marion morreu e ficou com Diana o trabalho de completar a obra. 


Viajando na pequena Andarilha e conhecendo novas culturas

A longa viagem a um pequeno planeta hostil
Becky Chambers
352 páginas
Darkside
Ano de publicação: 2017 

Sobre o que é: a tripulação da nave de perfuração de buracos de minhoca Andarilha são pessoas muito diferentes. Sendo uma nave interespécies, eles precisam conviver com suas diferenças e aprender uns com os outros. Com a chegada da humana Rosemary e o desafio de fazer uma longa viagem até Hedra Ka, um novo planeta para onde eles terão de construir túneis de viagem, a tripulação da Andarilha percebe que a máxima é verdade: o importante não é o destino, mas sim a viagem.

Por que ele é bom? Eu não sou uma Grande Leitora de Ficção Científica. Não que eu não goste de sci-fi - até gosto bastante, inclusive -, mas prefiro o gênero em filmes e séries do que na literatura porque há certas coisas que me incomodam demais em escritos desse tipo. Uma delas é a quase total falta de personagens femininas agindo como pessoas normais e não como apenas uma ajudante sem cérebro do grande homem espertalhão da trama. O machismo presente em obras de sci-fi é algo que realmente me incomoda, infelizmente, então por mais que eu saiba que literatura é literatura há coisas pelas quais simplesmente não consigo passar por cima.

Não tive esse problema com A longa viagem a um pequeno planeta hostil. Isso porque se eu tivesse que definir esse livro em uma palavra, a palavra seria representatividade. E por que ele teria essa palavra como chave? Simples: porque o que a Becky Chambers fez foi criar uma história em que todo mundo é diferente e todo mundo importa. (Basicamente um Doctor Who, só que escrito por uma mulher e sem um Time Lord.)



A blogosfera ainda pode ser legal

Mudei o layout. O que, aparentemente, não significa nada, mas como eu sou eu e tudo possui um grande significado - mesmo que apenas inventado -, o novo layout do blog tem um porquê. 


Há alguns anos, quando a internet era apenas mato, descobri o mundo dos blogs. A descoberta foi acidental: logo que consegui ter acesso à internet, que demorou pra chegar onde moro, uma das minhas primeiras extensas pesquisas sobre assuntos pelos quais era obcecada foi sobre cinema clássico. Cresci lendo e relendo uma coleção gigantesca de revistas antigas da minha mãe, cheias de fotos de artistas dos anos 30, 40, 50 e reviews de filmes todos trabalhados no glamour da época. Não foi difícil me apaixonar por toda aquela atmosfera hollywoodiana dos tempos antigos e, é claro, assim que consegui pôr as mãos num computador com internet fui logo pesquisar sobre as artistas de antigamente. Uma dessas pesquisas me levou a uma foto lindíssima da Sophia Loren com um decotão maravilhoso. Cliquei no link da imagem e me deparei com o primeiro blog que li: o blog da Lolla

Eu não sabia o que era um blog. Não fazia ideia do que estava lendo. Só sabia que gostava de ler as coisas que a Lolla postava sobre sua vida em Londres e adorava ver as fotos que ela tirava de comidas bonitas, paisagens de tirar o fôlego e decorações que ainda me inspiram sempre que vou fazer algo diferente em algum ambiente. Foi através do blog dela que conheci outros e virei uma leitora assídua de blogs, afinal eu havia descoberto que a internet não existia apenas como um depósito de conhecimento e memória cultural, mas também como uma espécie de journal (ou diarinho mesmo) em que qualquer pessoa poderia falar sobre qualquer coisa, mesmo que a coisa fosse um almoço que fez num local bacana ou uma conversa entre amigas sobre a vida, o universo e tudo o mais. 


15 dos meus livros preferidos escritos por mulheres

Hoje é o dia da mulher e se há algo que me incomoda são os parabéns que a gente leva nesse dia. Quer dizer, entendo que devemos ser parabenizadas por sobrevivermos num mundo que é claramente patriarcal, mas acho que o fato de uma ação do dia ficar apenas na parabenização não é apenas contraproducente como bem vazio. 

Como não está sendo possível fazer uma grande ação ou algo mais significante, decidi listar os meus livros preferidos escritos por mulheres porque se há algo que pode fazer a diferença no mundo é que nós passemos a consumir mais arte/literatura/cinema/música/trabalho feito por mulheres - só assim o mercado vai entender que temos espaço. Então bora. o/ 



Stress can ruin everyday of your life

Tenho pensado muito sobre a morte. 
Não, eu não tenho tendências suicidas. Já tive, mas essa fase passou há um bom tempo e agora estou de boas com a minha existência. Só que me dei conta daquilo que todos nós sabemos, mas sobre o que ninguém gosta de falar: todos vamos morrer. Eu vou morrer. Minha…