na cabeceira

literatura & diarices

Ele

Eu leio basicamente de tudo, menos algumas coisas. São bem poucas coisas, na verdade, mas tenho certos limites. Um deles é livro com historinha de amor. O outro, livros eróticos. E aí eu li os dois numa tacada só. 

Veja bem, eu não gosto de historinhas de amor. Não sou uma pessoa que odeia romances, uma alma fria sem amor no coração nem nada disso. Só que me irrito com os clichês e as descrições intermináveis sobre como o ser amado é maravilhoso, blablabla. Também não leio eróticos porque, bem, fala sério, depois do fiasco de Cinquenta Tons de Cinza, eu fugi do gênero mesmo porque não sou obrigada. Mas aí a Paralela ofereceu a prova de um livro que será lançado agorinha e que é uma coisa muito inédita na editora: um romance erótico gay. Como tenho tentado ampliar meus horizontes literários, aceitei a prova e iniciei a leitura. 

E... não é ruim. Mas também não é bom. Sim, o casal é fofo, sim a gente torce por eles - até eu, que sou o Coração Gelado, torci -, mas acho que pesaram a mão no quesito erotismo na narrativa. Mas enfim, vamos ver o porquê. 

Ele
Elle Kennedy e Sarina Bowen
Paralela
254 páginas
Ano de publicação: 2018

Sobre o que é: James Canning nunca descobriu como perdeu seu melhor e mais próximo amigo. Quatro anos atrás, seu tatuado, destemido e impulsivo companheiro desde a infância simplesmente cortou contato. O maior arrependimento de Ryan Wesley é ter convencido seu amigo extremamente hétero a participar de uma aposta que testou os limites da amizade deles. Agora, prestes a se enfrentarem nos times de hóquei da faculdade, ele finalmente terá a oportunidade de se desculpar. Mas, só de olhar para o seu antigo crush, Wes percebe que ainda não conseguiu superar sua paixão adolescente. Jamie esperou bastante tempo pelas respostas sobre o que aconteceu com seu relacionamento com Wes, mas, ao se reencontrarem, surgem ainda mais dúvidas. Uma noite de sexo pode estragar uma amizade? Essa e outras questões sobre si mesmos vão ter que ser respondidas quando Wesley e Jamie se veem como treinadores no mesmo acampamento de hóquei. 

You have five minutes to wallow into a delicious misery

Enjoy it, embrace it, discard it... and proceed.
(Elizabethtown, 2005)

O luto é um processo. Só fui começar a entender isso com a doença da minha mãe. O luto pode ser um processo que acontece antes da morte - e se intensifica com ela - ou pode ser repentino, que começa com a morte.

Minha mãe não morreu - ainda. E, honestamente, estou cansada de falar sobre isso, sobre esse problema que ela tem, sobre o período no hospital, sobre a espera. Estou cansada de pensar em morte e ter todo mundo à minha volta me tratando de forma estranha e fazendo com que eu, inclusive, me sinta pior ainda por não conseguir retomar a rotina direito nessa atmosfera deprimente. Foi por isso que decidi parar de falar sobre e ir viver, voltar à rotina da melhor forma possível e lidar com isso para mim mesma.

Esse momento pelo qual eu estou passando é bem delicado, especialmente porque o que as pessoas parecem não entender é que o luto é um processo. E cada um passa por ele de uma forma diferente. A minha maneira, ao menos por enquanto, é viver normalmente e me segurar o máximo possível. Tem dado certo.


Interferências malucas e barulhentas

Eu tenho um medo na vida. 
(Eu tenho muitos medos na vida, a quem estou enganando? Mas tenho um medo que é um Grande Medo, que certamente entra pra listinha de Grandes Medos com letra maiúscula.) Eu não tenho medo de aranha. Não tenho medo de barata. Não tenho medo de assalto. Não tenho medo de ser atropelada. Não tenho medo de filme de terror. Mas tenho um medo que me acompanha desde criança: telepatia. 

Não sei como isso começou. Provavelmente com algum filme da infância cujo nome jamais vou lembrar (algo me diz que envolvia as gêmeas Olsen, mas tudo envolvia as gêmeas Olsen na época, então é difícil dizer), mas o fato é que o medo é real. Não me dei conta de cara, foi aos poucos. Um dia estava jantando em família e pensei em alguma bobagem totalmente não relacionada e logo reprimi o pensamento porque alguém pode estar me ouvindo. Algo totalmente esquizofrênico, se a gente for parar pra pensar. Mas mesmo não fazendo sentido algum, isso foi crescendo, crescendo, crescendo, e com o passar dos anos eu acabei construindo defesas psíquicas (como ficar cantando mentalmente o tempo inteiro, SEMPRE tem música aleatória na minha cabeça) pra o caso de alguém à minha volta ser telepata. 

COMPLETAMENTE MALUCA, eu sei. 

Mas o fato é que esse é um daqueles medos malucos, irracionais e enraizados na infância que estão lá e não saem de forma alguma e com o qual a gente só convive, nem questiona mais porque já acostumou. E tudo bem. Tudo bem ter um medo irracional e maluco. Isso é parte da vida e a gente lida com isso numa boa. O problema é quando o medo se torna algo real. E é isso o que acontece num livrinho maravilhoso que li.  

Interferências
Connie Willis
464 páginas
Editora Suma
Ano de publicação: 2018 

Sobre o que é: Em um futuro não muito distante, um simples procedimento cirúrgico é capaz de aumentar a empatia entre os casais, e ele está cada vez mais na moda. Por isso, Briddey Flannigan fica contente quando seu namorado, Trent, sugere que eles façam a cirurgia antes de se casarem — a ideia é que eles desfrutem de uma conexão emocional ainda maior, e que o relacionamento fique ainda mais completo. Bem, essa é a ideia. Mas as coisas acabam não acontecendo como o planejado: Briddey acaba se conectando com outra pessoa, totalmente inesperada. Conforme a situação vai saindo do controle, Briddey percebe que nem sempre muita informação é o melhor, e que o amor — e a comunicação — são bem mais complicados do que ela esperava.