na cabeceira

literatura & diarices

Bohemian Rhapsody é lindo

Agora que já escrevi a crítica do filme para o Valkirias - e consegui, inclusive, deixá-la o mais imparcial possível, apesar da dificuldade de fazer isso sendo fã da banda -, posso vir aqui e escrever de forma emocional e sem restrições sobre a experiência que é Bohemian Rhapsody


Faz onze anos que espero por esse filme, desde a primeira vez que, em um fórum de uma comunidade do orkut (sdds orkut), ouvi falar na possibilidade de ele ser feito. Desde então, sofri com as escolhas de elenco, aquela péssima decisão de colocar o Sacha Baron Cohen para interpretar Freddie Mercury, o desgaste ocorrido durante as filmagens e suspensão das mesmas (ainda bem, pois essa escolha havia sido péssima). Cheguei a pensar que não haveria mais filme algum e que meu sonho de ver a história do Freddie na telona não se concretizaria. Aí surgiu o abençoado Rami Malek para dar corpo ao maior vocalista do século XX e desde então parte dos meus dias foram contar o tempo restante para assistir à cinebiografia. 

Há duas semanas, quando finalmente fui ao cinema para assistir Bohemian Rhapsody, quase não me contive de emoção. A história do Freddie tem sido a minha grande inspiração desde que eu era uma adolescentezinha que passava seus dias ouvindo música e cantando numa banda (sdds cantar numa banda) e que total acreditava que seu futuro era ser uma rockstar. Obviamente meu futuro acabou indo por outros caminhos que jamais sonhei trilhar - quem diria que eu enveredaria para a literatura e deixaria a música de lado? Certamente o pessoal que me conheceu naquela época riria dessa ideia, pois eu era 100% a doida do rock - não que eu tenha deixado de ser, mas não saio mais por aí cantando; o que é uma pena, pra falar a verdade. 

Ver o jovem e franzino Freddie dos anos 70 tomar forma, interpretado pelo Rami, naquela sessão me fez pensar em diversas coisas, mas especialmente em como é difícil nos tornarmos quem somos e termos a coragem de fazê-lo. Não havia nada que contribuísse para que ele um dia se tornasse um dos maiores cantores da história além do seu talento: ele estava longe de ser rico, trabalhava aqui e ali com coisas aleatórias, como CARREGANDO CAIXAS, era imigrante, vindo da África, sua família era religiosa e conservadora, e não é como se apoiassem o sonho do rapaz de ser um artista. Ele era apenas um jovem universitário cursando design gráfico que até mandava currículos por aí, mas comemorava ao saber que não havia conseguido nenhum emprego, assim poderia se dedicar à música. A vida de Freddie foi bem difícil e ele passou por diversos apertos, mas nunca desistiu de ser quem sabia que havia nascido para ser. E isso é lindo. 

Porém, ver isso me fez pensar: o que diabos estou fazendo para ir atrás dos meus sonhos? Sim, estou na faculdade que sempre quis. Sim, estou escrevendo e já tenho até um certo pequeno reconhecimento por minha produção. Mas eu realmente estou no caminho para ser a pessoa que eu nasci para ser? Acho que ainda há um bom percurso a ser trilhado até lá. 

Há alguns meses, li o famoso livro da Amanda Palmer, que até rendeu um textão na hora, e fiquei com a mesma sensação de não estar fazendo o suficiente para me tornar aquilo que deveria ser. Quer dizer, eu passo basicamente todas as horas do meu dia Fazendo Coisas e Produzindo Algum Tipo de Arte, mas parece que não é o bastante. É uma sensação bem inútil essa, porém é real. Especialmente quando se tem contato com obras como BoRhap e o livro da Amandita e se começa a questionar por que não se pode ser tão cara dura quanto eles e simplesmente MOSTRAR A SUA ARTE sem grandes preocupações de uma possível rejeição.

São questões.

Mas voltando a falar do filme:

O ELENCO

Rami Malek, obviamente, está perfeito, como todos sabemos. É bem verdade que poderiam ter colocado uma lente castanha no menino, já que ele tem lindos olhos verdes, mas isso não é um problema visto que ele ENCARNA o Freddie. É realmente muito incrível a transformação que acontece em cena. Especialmente nos anos 70, quando aparece o Freddie garoto todo serelepe com aquelas roupas de seda e aquele couro todo e a maquiagem kajal (inclusive, sua melhor fase; bigode não fica bonito em NINGUÉM).  


Uma coisa que particularmente amei e achei mega importante é que eles escolheram um ator egípcio para interpretá-lo. Freddie nasceu na Tanzânia, que fica na África Oriental, e suas feições estão longe de ser europeias. Tive um medo real de que fizessem um whitewashing porque por mais que ele fosse de pele clara, sua família era uma mescla de persas e indianos, então não há como simplesmente pegar qualquer cara com um maxilar grande e um nariz comprido e achar que está tudo bem.

Agora, na sessão "gente branquela" do filme, MEU DEUS DO CÉU, GWILYN LEE E JOSEPH MAZZELLO SÃO BRIAN E DEACON! É sério, eu não sei como acharam esses caras, mas desconfio fortemente que talvez eles sejam filhos perdidos de ambos, resultados de trocentas turnês regadas a álcool e outras coisitas mais, porque não é possível tamanha semelhança. (Sim, sabemos que é possível, claro, mas que dois caras praticamente idênticos aos membros do Queen sejam ATORES e tenham idade adequada para interpretá-los é algo que me faz pensar.)

Brian e Gwilyn são a mesma pessoa

Até a Anita Dobson, esposa do Brian, falou que achou o rapaz totalmente irresistível HAHAHAHA ♥

Agora, apesar da baita semelhança entre Gwilym e Brian, o realmente espantoso aqui é Joseph como John Deacon. Quando o elenco do filme foi anunciado, cada vez que eu me deparava com uma foto do Joseph, pensava que era o Deacon porque eles são simplesmente IDÊNTICOS.

E não sou só eu que penso isso:

Olhem bem pra isto e vejam a semelhança:

MESMA PESSOA!!!!!

(Inclusive, num assunto não relacionado, agora que me dei conta: o Deacon total parece uma das irmãs Romanov.) Amei demais que além de eles terem a mesma face, o detalhe do amassadinho no nariz do Deacon também está presente na interpretação do Joseph. Total coisa de fã, eu sei, mas é bacana ver isso.

QUEENIE GIRL


Eu tinha doze anos a primeira vez que ouvi Bohemian Rhapsody. Estava em casa, de licença médica porque ninguém sabia ao certo o que havia comigo e eu estava desmaiando direto na escola. Meu pai, pra me animar, trouxe diversos DVDs, entre eles aqueles de coletâneas de clipes antigos - precisamos lembrar que essa é uma época em que o advento da internet ainda não fazia parte da minha vida e basicamente tudo o que eu fazia era ler e ver tevê. Num deles, havia um show, que hoje identifico como sendo o Queen Elizabeth Diamond Jubilee de 2002 em que diversos artistas se apresentaram para homenagear a rainha. Entre eles, estava o Queen em sua formação restante: Brian, Roger e umas pessoas aleatórias ajudando nos vocais. Lembro até hoje da sensação que tive ao ouvir os primeiros acordes de BoRhap: soube, naquele momento, que aquela era a música da minha vida. Pode parecer exagero ou drama adolescente, mas foi exatamente isso que senti e, doze anos depois, ainda é verdade. 

Algum tempo mais tarde, já sabendo quem era o Queen e amando Freddie Mercury, soube que talvez seria feito um filme sobre a vida dele e fiquei completamente doida. É claro que o filme não poderia ter outro nome senão Bohemian Rhapsody, talvez a obra na qual Freddie mais se revelou. Ver esse filme e essa linda história sendo conhecida por todos é algo que me deixa feliz demais. São muitas as emoções e poucas as palavras para descrever esse sentimento. Nunca fui fã de nada e nem de ninguém, mas sou fã de um cara que morreu antes de eu nascer. Nunca poderei conhecê-lo, mas é realmente ótimo ver que o mundo está redescobrindo a história do rapaz franzino que conseguiu se tornar quem era.

Pretendo fazer um post com as minhas músicas preferidas do Queen, mas por enquanto fiquem com esta (e sigam o Brian May no instagram, ele é o senhorzinho mais fofo que existe!):

4 Comentários

  1. eu ri tanto da parte dos romanov! hahahaha
    menina, eu preciso ver esse filme. aprendi a gostar de queen também por causa do meu pai, que sempre se emociona ao ouvir o freddie mercury. elogia demais.

    amo esse rami, desde uma noite no museu. ele atua muito bem e o olhar dele é penetrante. os outros desconheço, mas pretendo conhecer em breve.

    suas questões sobre o caminho que está seguindo, o quanto luta pelos seus sonhos, tenho pensado nisso todos os dias, e fico naquele embate "estou fazendo muito pouco" versus "eu mereço um descanso mental". nossa geração é muito da doida, não sei como definir melhor.

    que bom que voltou aqui, eu já estava com saudade, viu?

    ResponderExcluir
  2. muito bom, mia

    estava com um pé atrás em relação a esse filme, mas teu comentário me convenceu a ver. acho que ainda tá passando no cinema, né? vou ver, apesar de algumas músicas do queen me trazerem lembranças ruins

    quanto ao começo do post: sejam eles mais ou menos palpáveis, realizar nossos sonhos é uma equação difícil de solucionar. vou na sua linha, mas ultimamente tenho trabalhado com a ideia de sonhos realizáveis e sonhos impossíveis. pelo menos é uma forma racional de vc trabalhar com esse problema.

    abraço!

    ResponderExcluir
  3. Que bacana ver sua trajetória com a espera do filme também. Estou ouvindo muitos elogios quanto à esse filme, mas não consegui ir ainda assistir. Quero muito ver em breve porque meu namorado também está cobrando.

    www.vivendosentimentos.com.br

    ResponderExcluir
  4. Não conhecia esse filme e não sou lá fã de rock e tal, mas achei incrivelmente interessante a sua resenha, toda a tragetória da banda e vivencia e parecem aquelas bandas de rock americana bem raiz mesmo, muito legal!

    yeah-dreamhigh.blogspot.com.br

    ResponderExcluir

Postar um comentário