na cabeceira

literatura & diarices

Tudo novo de novo

Todo mundo está fazendo o desafio da década e, embora eu não queira lembrar das péssimas fases por que passei na minha transição de adolescente para adulta, é impossível não pensar em como é incrível que este blog tenha me acompanhado por tanto tempo e que eu não seria quem eu sou sem ele. Faz 10 anos que eu sou uma pessoa de blog e, nessa década, muita coisa mudou. Primeiro que foi a década da minha adolescência. Conversando com Vinicius, me dei conta de que, para ele, essa foi a década do aprender a ser adulto mas, para mim, foi a de aprender a não ser criança. Alguns podem dizer que 15 anos já não é uma idade infantil, mas até essa idade eu não tinha acesso à internet e passava meus dias basicamente em casa. O que conhecia do mundo era através da TV e do que conversava com amigos. Portanto, minha cabeça era bem infantil ainda. E, assim que ganhei meu computador e instalaram a internet, eu criei um blog. Foi uma das primeiras coisas que fiz. A verdade é que nem sabia ao certo o que estava fazendo, mas eu sempre gostei de escrever e meus planos de crescer e me tornar uma Jornalista (com maiúscula) estavam firmes e fortes. Assim, o blog nasceu e eu comecei a escrever num ritmo frenético. A Mia de 15 anos, que escrevia quase diariamente por aqui, contando sobre seu cotidiano quase sem nenhum filtro, deu lugar a uma mulher prestes a pegar o canudo de jornalista e que escreve sobre cultura pop em diversos lugares. De 2009 para 2019 muita coisa mudou, e este lugar tinha que mudar também porque ele já não mais é quem eu sou. 

O Wink vai ficar para sempre no meu coração e, embora eu tenha deletado muitos textos da adolescência, os arquivos estão lotados com boas memórias, tudo refletindo meus sentimentos e descobertas durante uma década. Este blog foi o meu diário virtual por muitos anos, mas a verdade é que não quero mais falar sobre mim - ao menos, não de modo tão aberto. Cada vez mais me percebo descobrindo coisas a meu respeito e a respeito do mundo através da arte e da ficção. E é sobre isso que quero falar, quero um espaço onde me sinta em casa novamente. Mas isso não significa que preciso abrir mão da minha casa, só preciso de uma boa reestruturação. 

E é isto que estou fazendo: reestruturando. O Wink deixou de existir da forma como ele era, mas agora o Na Cabeceira está nascendo. O nome foi pensado porque, para além de remeter à literatura, também me faz lembrar dos vários momentos em que me pego ao lado da minha cabeceira, tentando dormir e falhando miseravelmente no processo (pois insone), e pensando pensamentos, pensamentos esses que quero colocar aqui, neste blog.

Faz algum tempo que quero fazer isso, o que pode ser percebido pela pouca atualização que o bloguito recebeu. Não é que falte tempo (o que falta, pra falar a verdade), mas é que eu não me sinto em casa na pele dos meus 15 anos. Não penso mais as mesmas coisas, não tenho a mesma rotina, tenho gostos diferentes e não faz sentido insistir em algo cujo tempo já passou. Só neste ano, sinto que cresci uns cinco anos inteiros. Fiquei o ano inteiro envolvida com o TCC - que foi defendido na semana passada e foi DEZ! -, criei um podcast, briguei com pessoas, desisti do podcast, criei o Querido Clássico, que tá sendo sucesso, realizei um evento sobre o gótico escrito por mulheres no século XIX, estou em contato com escritores, voltei a escrever ficção, escrevi mais de trinta textos pra o Valkirias, cursei vinte disciplinas ao todo, li muitos livros sobre psicanálise, terror e mulheres e, agora, estou com planos para a formatura, o mestrado e o show da Taylor Swift, com as minhas amigas da internet, no ano que vem. A gente vive muitas vidas em uma e não faz o menor sentido se restringir a um formato apenas pela nostalgia. Minhas memórias sempre continuarão, mas eu não sou elas. 

Tudo novo de novo para uma nova década. E que venham os anos 20! 


4 Comentários

  1. "Minhas memórias sempre continuarão, mas eu não sou elas" - QUE PEDRADA MULHER!
    Meus parabéns pelo amadurecimento, aconteceu por aqui também. Vou começar a postar textos mais analíticos e históricos, depois de quase dez anos me preparando. Até que enfim, né?
    Muito chique sermos duas mulheres beirando os trinta (sem exagero) numa década de 20, não acha? Eu acho. Será nossa Belle Époque. Que criemos, que avancemos, que comuniquemos, que amemos quem somos e o que fazemos!

    Sorte, camarada.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu não tinha pensado nisso, mas sim, Helenita, é muito chique haha
      Avante!

      Excluir

Postar um comentário