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Meus livros preferidos de cada gênero

Vi essa tag no Literature-se, canal da Mell Ferraz, e achei uma boa ideia trazê-la para cá. Embora seja feita originalmente em vídeo, prefiro a boa e velha palavra escrita neste blog. A ideia consiste em elencar meus livros favoritos de cada gênero, o que pode ser bem difícil, especialmente para clássicos, mas é sempre divertido fazer listas literárias. Vamos lá. 


  1. Clássico 

    O Retrato de Dorian Gray, do Oscar Wilde.

    Minha lista de clássicos favoritos é gigantesca. Acho que é seguro afirmar que meu primeiro contato com a literatura foi através de clássicos, então é bem difícil elencar o favorito. Mas há alguns para os quais sempre retorno, que tornaram-se grandes referências em minha vida. E talvez a maior referência, de tantas maneiras, esteja em O Retrato de Dorian Gray. Li esse livro tantas vezes que já perdi a conta de em qual releitura estou e ele sempre me traz algo novo. A cada leitura, existe ali uma nova história, uma nova reflexão, uma nova forma de entender o mundo do jovem Dorian, do romântico Basil e do dândi Lord Henry. Se existe um livro perfeito, certamente tal título deve ser concedido à obra-prima de Oscar Wilde.

  2. Infanto-juvenil 

    A Fada que Tinha Ideias, da Fernanda Lopes de Almeida.

    O primeiro livro que peguei emprestado na biblioteca, assim que entrei na escola, foi Soprinho, da Fernanda Lopes de Almeida. Eu amei aquele livro com todo o meu coração e, assim que fiquei sabendo que tinha outro livro dela, corri para lê-lo. A Fada que Tinha Ideias tornou-se um favorito absoluto desde então. Ele é perfeito em cada detalhe, cada ilustração, cada lição. Clara Luz é uma fada que não quer aprender do Livro das Fadas - ela quer inventar novos feitiços. Ela é extremamente criativa e contestadora, um espírito livre que acaba reformando todo o reino das fadas com seu jeito inovador de ser. E, o mais interessante, é que esse livro foi publicado na época da ditadura brasileira, sendo que ele contém um espírito que poderia ser considerado subversivo para a época. Gosto de pensar que a autora sabia o que estava fazendo e, com uma história bonita, ela colocou ensinamentos sobre como vale a pena ser contra uma autoridade vigente que só prega o atraso num reino. Maravilhoso.

  3. Young-Adult 

    Tartarugas Até Lá Embaixo, do John Green.

    Se alguém me perguntasse qual é meu livro Y.A. favorito há alguns anos, eu provavelmente torceria o nariz e diria que nenhum. Não porque eu tivesse preconceito com o gênero, nada disso, mas simplesmente porque não é o meu tipo de leitura. Já li alguns, mas poucos realmente me cativaram, simples assim. Porém, Tartarugas Até Lá Embaixo é um livro que não me saiu da cabeça desde que o li. A jornada de Aza é singela, mas bonita. Eu amei.

  4. Não-ficção 

    As Irmãs Romanov, da Helen Rappaport.

    Ninguém escreve biografias como Helen Rappaport. Virei fã incontestável dessa mulher após ler As Irmãs Romanov, um livro delicado que procura tratar, com a maior realidade possível, as quatro filhas do último tsar da Rússia desde seus nascimentos até o fim trágico que sofreram por terem nascido na família errada e na época errada.

  5. Nacional contemporâneo 

    Ninguém Vai Lembrar de Mim, da Gabriela Soutello.

    Não leio tanta literatura nacional quanto gostaria, mas leio o suficiente para saber distinguir uma voz que se destaca. A escrita da Gabriela Soutello é poética, profunda e repleta de sentimentos difíceis de externar. Lê-la é sentir-se abraçada pela solidão e verdadeiramente compreendida. Amei cada palavra de Ninguém Vai Lembrar de Mim e já quero ler mais livros dela.

  6. Ficção histórica 

    A Papisa Joana, da Donna Woolfolk Cross.

    É estranho pensar que li esse livro no longínquo ano de 2012 e ele continua sendo meu favorito do gênero. Eu amo ficção histórica, é um dos gêneros que mais leio, mas nada se compara ao que Donna Woolfolk Cross fez em A Papisa Joana. Ela, que é historiadora por formação, montou uma história baseada em fragmentos de pesquisa do século IX e conseguiu preencher lacunas, com um pouco de imaginação e muito conhecimento da época na qual o livro se passa, de forma a encantar e nos fazer querer conhecer mais a figura de Joana, a única mulher que chegou ao papado - fingindo ser um homem, a princípio para poder sobreviver mas, posteriormente, para ter liberdade para ler, escrever e exercer sua profissão. Uma verdadeira inspiração.

  7. Romance de formação 

    A Redoma de Vidro, da Sylvia Plath.

    Amo romances de formação e essa escolha pode até ser polêmica, pois há quem diga que A Redoma de Vidro não se enquadra no gênero (ou subgênero), mas eu creio que ele pode ser visto de tal forma. Ainda não encontrei palavras para expressar o quanto esse livro é verdadeiro e importante para mim, mas lê-lo é como mergulhar em mim mesma. A cada releitura, encontro algo de mim que ainda não havia percebido - o que é uma visão bem egocêntrica sobre um livro tão pessoal da Sylvia Plath, mas, ainda assim, é a minha. Esther Greenwood e seus questionamentos sempre me levam a lugares onde talvez eu não gostaria de ir, mas que se mostram necessários e reais.

  8. Poesia 

    Fausto, do Johann Wolfgang von Goethe.

    Eu amo poesia e já li dezenas de livros do gênero, mas nenhum fez o que Fausto fez. A princípio, demorei a lê-lo por achar que tratava-se de uma obra difícil, mas eu estava enganada. Claro, existem trocentas referências ali e essa pode ser a verdadeira dificuldade, pois entendê-las todas é um desafio. Mas não é nada impossível: basta um pouco de bagagem literária, ânimo para pesquisar e vontade de entender o que Goethe estava pensando quando escreveu tal verso para que se consiga apreender a genialidade da obra. Ainda preciso relê-la para melhor compreensão, mas certamente tornou-se uma das minhas favoritas e eu tenho somente palmas a dar ao autor pela forma como estruturou uma história divertida, crítica e profunda num poema épico que ultrapassa gerações.

  9. Ficção científica 

    30 e Poucos Anos e Uma Máquina do Tempo, da Mo Daviau.

    Leio bastante ficção científica. É, certamente, um dos meus gêneros preferidos, mas existe um problema no sci-fi: em geral, ele assina por nomes masculinos e contém muita misoginia em suas tramas. É difícil não ler algo do gênero sem passar raiva. Mas, de tempos para cá, cada vez mais mulheres têm sido publicadas, o que me deixa particularmente feliz, especialmente quando eu olho para obras como 30 e Poucos Anos e Uma Máquina do Tempo, um livro absolutamente perfeito que reúne viagem no tempo, crítica à misoginia e à gordofobia e um mistério pelo qual o leitor não espera. É um livro perfeito, tenho apenas parabéns a dar a Mo Daviau. Quero ler tudo o que essa mulher escreve.

  10. Distopia 

    O Conto da Aia, da Margaret Atwood.

    É bem verdade que O Conto da Aia me parece mais uma história de terror do que uma distopia, mas isso é porque nossas noções sobre distopias estão assentadas em bases conectadas à ficção científica, o que certamente não corresponde ao significado real do termo. No entanto, o fato é que O Conto da Aia tornou-se a minha distopia favorita por ser absolutamente real. Margaret Atwood não inventou nada dos horrores que ali acontecem: tudo foi tirado da história da humanidade. Ela apenas juntou os acontecimentos num sistema ditatorial fundamentalista e criou Gilead. Mas cada descrição de tortura, cada retirada de direitos humanos, tudo é verdadeiro, o que me deixa em um estado de pânico, especialmente agora. Fora isso, o livro é incrível. Bem escrito, imersivo e complexo na medida para levar o leitor a uma necessária reflexão.

  11. Romance gótico

    O Morro dos Ventos Uivantes, da Emily Brontë.

    As irmãs Brontë são grandes referências na minha vida desde que eu era criança, mas O Morro dos Ventos Uivantes, escrito por Emily Brontë, tornou-se um dos livros da vida, talvez o livro da vida, após todos esses anos desde a primeira leitura. Ele é o gótico dos góticos para mim, pois nele há tudo: fantasmas, pessoas exaustas e carrancudas, uma mansão em decadência, famílias que se arruínam e o fantástico duplo literário envolto em uma maldição. É um livro perfeito, embora não seja do gosto de todos: ninguém ali presta, todas as personagens são detestáveis e o clima é árido - clima tanto psicológico quanto relativo ao tempo, pois faz frio e venta fortemente o tempo inteiro, há chuvas torrenciais, tudo é sujo e estranho... Mas é meu livro favorito.

  12. Terror  

    O Cemitério, do Stephen King.

    Eu nunca tive tanto medo lendo algo do que tive ao ler O Cemitério. Anteriormente, meu maior medo literário havia acontecido com O Iluminado, também de Stephen King, mas seu livro mais perturbador e assustador é certamente o primeiro. Foram noites e noites sem dormir, pensando nas imagens vívidas e aterrorizantes descritas pelo autor. Já falei muito sobre ele aqui, mas vale ressaltar: o livro é perfeito. Leio muito terror (assim como assisto muitos filmes do gênero) e nada me foi tão impactante, até agora, quanto esse livro.

  13. Clássico nacional 

    Memórias de um Sargento de Milícias, do Manuel Antônio de Almeida.

    Ele é divertido, faz crítica social e contém uma enormidade de detalhes sobre o período regencial brasileiro. Como não amar Memórias de um Sargento de Milícias? Foi o primeiro romance clássico nacional que li, embora já tivesse lido peças de teatro e poesias, e simplesmente me apaixonei pela prosa bem-humorada de Manuel Antônio de Almeida e pelo retrato de um Brasil tão distante, mas que, para falar a verdade, não mudou tanto assim - ao menos, não em costumes.

  14. Contos 

    Cat Person e Outros Contos, da Kristen Roupenian.

    Curiosamente, não são muitas as pessoas que gostam desse livro. Afora o conto título, Cat Person e Outros Contos parece ter deixado a desejar. Mas eu o considero maravilhoso. Possuo uma certa dificuldade para gostar de livros de contos: com frequência, acabo abandonando-os. Mas devorei cada página da obra de Kristen Roupenian. Em seu universo, tudo é bizarro ao ponto do fantástico e nós, leitores, somos espectadores das pequenas tragédias de cada personagem. Estou ansiosa para relê-lo. 

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