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Os filmes do primeiro semestre

O primeiro semestre acabou faz um mês, mas eu perdi o conceito de tempo durante a pandemia, então acho que não há problemas em falar sobre os filmes assistidos agora, em agosto. Já falei sobre as leituras aqui, mas, lendo o post da Jéssica, sobre os filmes, fiquei com vontade de escrever um também, pois foram tantos filmes bons, que me salvaram a quarentena de tantas maneiras, que achei até injusto só falar dos livros. Não sou tanto uma pessoa de acompanhar lançamentos cinematográficos, exceto quando vou fazer uma crítica oficial, então não é uma lista dos melhores filmes do ano até agora (o que seria, de certa forma, meio risível, pois metade do cinema agendado pra 2020 simplesmente fez fuén, mas sigamos), porém uma lista daquilo que eu assisti, qualquer que seja o ano de lançamento, e achei ótimo.


Little Women 

Esse foi o último filme que assisti no cinema antes da pandemia acabar com a nossa alegria. Foi um dia atípico. Chegamos atrasados e perdemos o horário da primeira sessão. A seguinte seria apenas dali a cinco horas. Mas decidimos ficar porque era um filme que eu queria muito assistir e, embora possa ser cansativo passar tantas horas em um shopping, ficamos lá, na livraria (que agora fechou), eu lendo um pouco da biografia da Mary Stuart, ele lendo sobre investimentos, aguardando o horário para comer um hambúrguer e ir para a sala de cinema. O filme foi extremamente perfeito. Greta Gerwig mesclou a história do livro, Mulherzinhas, com a vida da autora, Louisa May Alcott. Foi tocante, uma verdadeira homenagem à Louisa e a todas as mulheres que se aventuram pela escrita. Saí do cinema chorando e assim permaneci por cerca de duas horas após chegar em casa, completamente emocionada. Foi catártico.

The Lighthouse

Esse filme é esquisito e surpreendente divertido. Como A Bruxa é um dos meus filmes favoritos, fui assistir The Lighthouse com muitas expectativas. Esperava sair da sessão completamente aterrorizada. Qual não foi a minha surpresa quando surgiram na tela cenas de peidos, dois homens ficando doidos pelo isolamento e não cedendo ao desejo sexual porque suas ridículas concepções sobre masculinidade ficaram no caminho... Claro que todo o riso parece um prenúncio da desgraça agora, que estou há quase cinco meses sem sair de casa, eu mesma no meu próprio isolamento, já próxima a Robert Pattinson implicando com as gaivotas.


Jojo Rabbit

Um filme lindo e mal compreendido. Jojo Rabbit é perfeito de tantas maneiras que é difícil colocar em palavras, embora eu o tenha tentado na crítica que escrevi. É uma comédia desconfortável sobre a Segunda Guerra Mundial na visão de uma criança, um menininho alemão que entra para a Juventude Hitlerista. O que poderia soar verdadeiramente ofensivo transforma-se numa história comovente sobre esperança em meio a situações horríveis. Outro que me fez chorar por um bom tempo depois que acabou.

Jane Eyre

Já vi esse filme algumas vezes, mas basta o tempo esfriar para que eu queira assisti-lo novamente. Minhas histórias-conforto são, quase todas, góticas, e isso não é diferente com Jane Eyre. Amo a petulância dela ao dizer que Rochester é feio. Amo que ela largue tudo e diga um sonoro "de jeito nenhum" para as ideias erradas de fazê-la dependente de um homem, por amor. Gosto de como as Brontë tratavam o amor como algo complicado, ao invés de puramente romântico ou idílico. E, embora eu goste mais de O Morro dos Ventos Uivantes do que do romance escrito pela Charlotte Brontë, o filme de 2011 é uma das coisas mais bonitas que já assisti.

Annihilation

Tenho uma certa implicância com a Natalie Portman porque, embora ela seja uma boa atriz, me parece que ela está sempre interpretando o mesmo papel. Isso me fez adiar Annihilation por um bom tempo, mas finalmente decidi assisti-lo e amei. É perturbador de um jeito meio lovecraftiano, tem um elenco feminino excelente tentando resolver as coisas, tem ciência, tem um medo real do desconhecido... E um final que me deixou particularmente feliz. Não sei se quero ler o livro no qual o filme foi inspirado, mas certamente pretendo rever esse filme.

The Love Witch

Tão lindo que dá vontade de morar dentro dele. The Love Witch é simplesmente perfeito. Embora muitas pessoas não gostem do filme, especialmente porque a protagonista está longe de ser uma boa pessoa, e existam, sim, cenas que podem ser consideradas problemáticas sob uma ótica feminista (mas somente à primeira vista; basta pensar a respeito para perceber as intenções da diretora ali), é um dos melhores filmes que já vi. Esteticamente maravilhoso e com uma história completamente fascinante.


Knives out

Dificilmente alguém que gostou de Clue não vai gostar de Knives Out. Embora eu considere o primeiro infinitamente superior, o segundo é realmente muito bom. Divertido, com um ótimo elenco, um mistério realmente intrincado e uma crítica social enfiada no meio de tudo (mas muito bem amarradinha, longe de ser algo feito só por fazer), Knives Out é a melhor escolha desta lista para assistir numa noite de final-de-semana, quando só se quer descansar e ver algo que realmente entretenha.

Only lovers left alive

Um filme de vampiro mal-do-século. Adam é letárgico numa intensidade que poderia bem ter encarnado o próprio Álvares de Azevedo. Eve é linda de um jeito quase surreal. Ambos são lentos e pacientes, já que estão vivos há séculos e sabem que tudo passa, que tudo pode esperar. Eles vivem para a música, para a literatura e para as coisas belas. Mas a humanidade parece estar cada vez mais perdida, a vida não faz muito sentido e Jim Jarmusch enfia várias críticas sociais, ao capitalismo e a questões ecológicas, o que não é novidade em seus filmes, mas é algo sempre bem pontuado e que casou perfeitamente com a imortalidade vampiresca do casal.

Emma.

Faz meses que eu estou completamente obcecada por essa história. Digo história porque tanto livro quanto filme me fizeram apaixonar. Emma. é divertido, leve, lindo e possui uma cena de um bebê peidando, o que leva todo mundo a entrar em pânico e chamar o médico. Quer dizer, dificilmente tem como ficar melhor do que isso. Mas também é o filme mais sexual do universo Austeniano, com um nude do Mr. Knightley, interpretado de forma irretocável por Johnny Flynn. A diretora, Autumn de Wilde, também quis fazer diferente e coloriu tudo com tons vistosos, longe dos pastéis que geralmente fazem a paleta de cores dos period dramas. Ela estava certíssima em fazer isso, nem preciso dizer. Assistam Emma.


What we do in the shadows

Esse filme me lembrou demais o The Fearless Vampire Killers, com exceção de que seus personagens principais são vampiros, e não caçadores-de-vampiros. Mas toda a atmosfera de "supostamente somos maus, mas não nos levamos tão a sério assim" está lá, o que eu particularmente amo. Tem uns vampiros que dá vontade de abraçar. Queria ser amiga de todos. E do Stu, principalmente do Stu, que é um amorzinho.

Ready or not

Mulheres matando homens que as enganam ou as chamam de loucas é meu gênero preferido de filme e Ready or not cumpre isso muito bem. Ele é dinâmico, surpreendente e divertido. Mas eu amo uma farofa com mulheres se defendendo pra fugir de gente doida, então é isto. Assista se quiser ver um filme realmente bom, redondinho, com excelentes atuações e que vai te fazer dar uns gritinhos na torcida pela protagonista. 

1 Comentários

  1. Da lista que citou assisti apenas um, até que recentemente, que foi Knives Out, um filme integrante de certa forma um pouco cômico com uma lógica fora do normal da investigação CSI kkk' confesso que entretive-me muito.

    Dreamcatcher

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