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Não subestimem Martha Jones: o racismo em Doctor Who

Durante os mais de cinquenta anos da série, Doctor Who nos apresentou personagens memoráveis. Tanto na série clássica quanto no New Who, é possível enumerar diversas histórias inspiradoras, arcos inesquecíveis e, especialmente, companions que marcaram época. Algumas são mais lembradas e queridas do que outras e, embora possam existir várias explicações para tal, é difícil não ver o óbvio: pelo menos durante as primeiras temporadas de seu retorno às telas, tanto o roteiro de Doctor Who quanto seu fandom foram racistas. Enquanto Rose Tyler (Billie Piper) e Amy Pond (Karen Gillan) são lembradas com nostalgia, companions de força, inteligência e relevância fundamental para a história são deixadas de lado, especialmente se não forem padrão. O caso mais óbvio de esquecimento de uma companion — ou desprezo completo por parte do fandom — é o de Martha Jones (Freema Agyeman) que, além de literalmente ter salvado o mundo algumas vezes e de ter tido um arco independente do Doutor, é uma mulher negra, o que jamais é perdoado, nem mesmo no universo fantástico de Doctor Who

Faz quinze anos que a série retornou de seu hiatus. Desde 2005, tivemos doze temporadas, cinco regenerações e muitas companions. Conhecemos Martha Jones no segundo episódio da terceira temporada da série, “Smith and Jones”, quando, por um infeliz acaso, o Décimo Doctor (David Tennant) torna-se seu paciente no hospital onde faz residência. Infiltrado lá dentro, o Time Lord investiga algo estranho que tem ocorrido no hospital: bolsas de sangue estão sumindo sem explicação e ele, que estava à toa, resolveu que seria uma boa hora para inventar uma dor de estômago e se meter em problemas. Logo que eles se conhecem, uma chuva estranha começa a cair somente em cima do prédio em que se encontram e, em instantes, eles percebem que não estão mais na Terra: de alguma forma, todo o edifício foi transportado para a Lua. 

O episódio segue e logo somos apresentados aos Judoon, uma raça alienígena de policiais do espaço cujo trabalho é cumprir ordens e aplicar penas legais. No entanto, para tal, eles não se importam com danos colaterais que podem causar, e dentre esses danos encontra-se um hospital repleto de pessoas, mas com oxigênio limitado. Para salvar a todos, o Doctor precisa descobrir o porquê de eles estarem ali a tempo, antes que o ar do hospital acabe e todas as pessoas — pacientes e a equipe do hospital — acabem mortos. Contudo, ele jamais teria conseguido não fosse a ajuda de Martha Jones, a jovem residente que com inteligência, perspicácia e rapidez consegue identificar a culpada pelo crime e salva a vida de todos, que voltam à Terra em perfeitas condições. 

Quando voltam à Terra, o Décimo Doctor convida Martha para uma viagem, mas somente uma, deixando claro que não a quer como companion e que só estava lhe fazendo um favor. Como ela não é boba, obviamente aceita pois, ainda que ele tenha sido grosseiro com ela, existe a possibilidade de viajar não somente para qualquer lugar do universo, mas também para qualquer época. Quem recusaria isso? E é assim que eles vão parar na Inglaterra elisabetana e conhecem William Shakespeare (Dean Lennox Kelly), num dos melhores episódios de Doctor Who: “The Shakespeare Code”. Mas esse episódio, embora seja incrivelmente bem feito e divertido (como praticamente todo episódio em que o Doctor viaja no tempo), possui um dos diálogos mais terríveis entre o Doctor e uma companion. Obrigados a dividir um quarto e uma cama na hospedaria de Londres do século XVI, o Doctor se vê pensativo sobre o que estaria causando tantos problemas estranhos envolvendo o famoso dramaturgo. Enquanto Martha lhe ouve falar a respeito de suas dúvidas, ele solta: “Rose saberia. Aquela minha amiga, Rose, agora ela diria exatamente a coisa certa. De qualquer forma, você não pode ajudar, é apenas uma novata. Esqueça. Te levarei de volta para casa amanhã”. Obviamente, Martha fica arrasada pela insensibilidade e incapacidade do Doctor em perceber que ela está ali e claramente pode ajudar — lembrando que, há menos de vinte e quatro horas, ela havia salvado a vida dele, literalmente dando seu último suspiro, e impedido uma trama alienígena que poderia prejudicar seus pacientes no processo. Essas indelicadezas seguem acontecendo conforme a temporada avança e o Doctor continua tratando Martha como alguém descartável, sempre chorando pela perda de Rose — ao menos, até encontrar alguma outra mulher loira que lhe agrade. 


Uma das justificativas que as pessoas dão para não gostarem de Martha, chegando até mesmo a detestá-la e a chamá-la de pior companion que o Doctor já teve, é o fato de que ela não é Rose. É bem verdade que a partida de Rose, no final da segunda temporada, foi traumática: além de ela ter sido a primeira companion do New Who, a primeira em muitos anos de hiatus, o que certamente estabeleceu uma relação emocional com o público, a narrativa contada no arco de Rose é a de uma história de amor: a partir do momento em que o Doctor se regenera, assumindo as feições de David Tennant, Rose passa a olhá-lo de outra forma e todo o carinho e admiração que sentia por ele tornam-se atração e, até mesmo, amor. Tal sentimento é correspondido, mas nunca colocado em prática de forma romântica: por mais que goste de Rose, o Doctor conhece suas limitações e sabe que um relacionamento entre eles jamais daria certo já que ele é um Time Lord que não envelhece ou morre, regenera-se, e ela é uma garota humana que mal saiu da escola e tem uma vida toda pela frente, mas uma vida mortal. 

Entretanto, embora exista uma história de amor entre os dois, não é possível afirmar que Martha não deveria ter sido uma companion pois ela está no caminho da felicidade do casal Rose e Doctor, como se a existência dela fosse um empecilho, ou mesmo afirmar que ele não se interessa por ela — chegando até mesmo a ser estúpido e frio — por causa de seu amor por Rose e de seu coração partido. Na metade da temporada, enquanto está disfarçado como humano no episódio duplo “Human Nature/The Family of Blood”, ele começa a namorar uma mulher, Joan (Jessica Hynes), uma enfermeira em uma escola para rapazes na Inglaterra de 1913, sob os olhos espantados de Martha, que precisa aturar tudo dele, até mesmo uma rejeição tão óbvia. Quando seu disfarce é arruinado, o Doctor convida a enfermeira para viajar com ele, como companion, para que eles possam recomeçar o romance na TARDIS, entre uma viagem e outra. Ela, entendendo a situação, não aceita o convite e vive sua vida longe daquela narrativa — no entanto, tanto ele quanto Martha sabem que o fato de ele nunca ter dado uma chance real para ela, seja romântica ou como amizade, não dependia do amor dele por Rose, mas sim do fato de que ele menospreza a nova companion

O porquê do menosprezo nunca é verdadeiramente esclarecido. Martha Jones é tão inteligente quanto o Doctor, sendo ela própria uma doutora; é perspicaz, independente e, ainda que tenha sentimentos por ele, não deixa que eles tomem conta de sua vida ou que norteiem suas atitudes, permanecendo o mais racional possível e medindo as decisões que precisa tomar. Martha Jones é a companion que o Doctor não merece. Como é bem mostrado em “The God Complex”, episódio da sexta temporada, o Doctor é tão apegado a Amy Pond e foi tão apegado a outras companions, como Rose, porque elas centraram sua vida nele. O amor que elas sentiam por aquele Time Lord o tornou arrogante e dependente de adoração. Por mais que amemos o Doctor — e eu certamente sou uma grande fã tanto da série quanto do personagem —, é preciso reconhecer que ele ama ser adorado, mesmo que não o admita, e isso o torna prepotente. Martha o amava, mas amava mais a sua vida e a sua família. Ela não abandonou tudo por ele e soube a hora de ir embora, deixando-o sozinho para terminar sua residência em medicina, seguindo a própria vida e se atendo a seus planos. Mas, para além da questão narrativa do complexo de Deus que o Doctor possui, também existe o racismo intrincado na série que se aplica a Martha de tal forma que até mesmo outros personagens o percebem. 


Em “Utopia”, episódio da terceira temporada, Jack Harkness (John Barrowman) volta à cena e ele e Martha Jones se conhecem e começam uma conversa sobre como o Doutor abandonou Jack, que também foi companion por algum tempo até que, ao final da primeira temporada, foi deixado para trás. Então, sabendo disso, Martha pergunta se é isso o que o Doctor faz, fica correndo de um lado para o outro e se esquece dos companions por ser muito ocupado, como se eles fossem coisas substituíveis, ao que Jack responde: “a não ser que você seja loira”. Nesse momento, Martha se dá conta de que Jack está falando de Rose e diz: “ah, então ela é loira!”. O Doctor fica possesso com aquilo e interrompe a conversa, mas o recado foi dado: você só não é abandonada se for padrão.

E não é só pela enfermeira que o Doctor se apaixona. Mesmo sofrendo pela perda de Rose, em “Voyage of the Damned”, episódio especial de Natal da terceira temporada, ele encontra uma bela e esperta garçonete, Astrid (Kylie Minogue), em uma viagem espacial e se apaixona por ela, chegando a trocar um beijo com a moça e ficando visivelmente abalado quando ela morre — abalo emocional que ele não sofreu pela perda de Martha, que no episódio anterior havia dito adeus ao Doctor e seguido sua vida após ver que não valia a pena conhecer todo o universo ao lado de alguém que não lhe valoriza. O que Rose, a enfermeira Joan e Astrid, a garçonete, possuem em comum? Todas são loiras. 

A própria narrativa de Doctor Who concorda com isso já que, em diversos momentos, é dito o quão racista a estrutura da série está sendo através de outros personagens ou mesmo de atitudes do Doctor. No entanto, temos que considerar que são os próprios roteiristas da série que decidiram tomar esses rumos — se para fazer uma crítica ou de forma compulsória, apenas escrevendo histórias que refletem a forma como eles enxergam a realidade, não sabemos. O que podemos saber analisando o cenário é que sim, o Doctor é maravilhoso, mas até que ponto ele não é levado pelos mesmos padrões das outras pessoas? Até que ponto ele não tem os mesmos preconceitos? É interessante observar que isso é dito também durante a segunda temporada, e é a própria Rose, que é tão amada por ele e por todos, quem aponta: em alguns momentos, quando ele está irritado com qualquer coisa, ele simplesmente gosta de apontar os defeitos de outras raças alienígenas e expõe todos que ele considera inferiores a ele. Infelizmente, esse julgamento da inferioridade alheia parece possuir certo foco não somente em características psicológicas de personagens, mas também em questão de cor. “The God Complex” mostra bem esse lado arrogante e prepotente do Doctor, mas é o arco de David Tennant que nos faz entender o quanto ele se sente superior a todos — especialmente àqueles que não lhe agradam fisicamente, o que acontece com certa frequência a personagens não-brancos na série. 

Martha Jones foi menosprezada por ele de muitas maneiras ao longo da terceira temporada, mas ela conseguiu se libertar daquilo indo embora e seguindo sua vida longe do Doctor. Pensar no racismo da série é interessante e importante, embora incômodo, especialmente para alguém que passou anos acreditando que não havia defeito algum na história do Time Lord que viaja pelo tempo e espaço e salva a Terra nas horas vagas. Vou continuar gostando muito de Doctor Who de qualquer forma, mas não dá para negar que o Doctor é escrito para não valorizar Martha e outros personagens negros por uma simples questão de racismo. E o problema não se encontra apenas no roteiro: o próprio fandom reflete isso. Basta fazer uma pequena pesquisa em fóruns sobre a série para encontrar reclamações sobre Martha e outros personagens não-brancos. Ainda que eu acredite que nem todas as pessoas possuem consciência do racismo por trás de tal juízo de valor, é decepcionante ver que o fandom de uma série sobre alienígenas e diferenças seja tão racista. Se fosse branca, Martha seria facilmente a companion preferida do fandom. Ela literalmente é conhecida como a mulher que caminhou pela Terra. Durante um ano inteiro, ela andou por todos os países de uma Terra apocalíptica para anunciar a palavra do Doctor e salvar o mundo ajudando-o a se libertar do Master (John Simm). Além disso, em basicamente todas as histórias onde o Doctor está em perigo e precisa de alguma ajuda, é ela quem precisa se virar: ela se torna uma médica inteligente que é obrigada a arranjar um emprego em uma loja, em 1969, para sustentar o Time Lord enquanto ele espera pela TARDIS; é ela quem o protege de si mesmo quando ele vira humano, se fazendo passar por empregada dele e sendo constantemente humilhada pelas pessoas racistas do início do século XX. Ela suporta tudo isso enquanto salva o mundo e chuta bundas alienígenas, nunca se deixando cair em desespero e sempre analisando a situação de forma fria e racional. Entretanto, o fandom só lembra da Rose e de como ela era engraçadinha e fazia um belo par romântico com o Doutor. Não é questão de colocá-las como rivais. Ambas são boas em suas narrativas, mas uma é valorizada e a outra, quando não é completamente esquecida, é apedrejada como a pior companion que o Doctor já teve, ainda que, de forma objetiva, ela possa ser considerada a melhor dentre elas tanto em capacidade, inteligência e ações. 


Não é só a Martha que o Doctor subestima: ele também trata com superioridade a uma jornalista negra (Chandra Ruegg) em “Partners in Crime”, primeiro episódio da quarta temporada, e Mickey (Noel Clarke), namorado de Rose durante a primeira temporada e companion do próprio Time Lord na segunda. Apesar de Mickey possuir um papel importantíssimo por ser inteligente, entender de sistemas informáticos e lidar bem com tecnologia, auxiliando na salvação da Terra, ele ainda é chamado de Mickey, o idiota pelo Doctor, que só lhe reconhece o valor quando o rapaz quase morre para salvá-lo. Por alguns episódios, Mickey é literalmente comparado a K-9, um cachorro de metal que a ex-companion do Doctor, Sarah Jane Smith (Elisabeth Sladen), possui. Existem poucos personagens tão desprezados na série como Mickey — mas a semelhança entre eles é que todos são negros. 

É bem verdade que Bill Potts (Pearl Mackie), uma jovem negra companion do Décimo Segundo Doctor (Peter Capaldi), é tratada com gentileza, respeito e preocupação por ele, que realmente se importa com ela e não a subestima. Mas ela possui um dos finais mais absurdos para uma personagem. Em seu desfecho, após ser transformada em um Cyberman, ela literalmente vira uma poça d’água. Literalmente. Bill é uma companion inteligente, divertida e não-hétero, uma estudante universitária que precisa trabalhar durante o dia para pagar seus estudos, gente como a gente, e deveria ter tido um arco melhor, especialmente por ter sido a primeira companion negra em quase uma década. Pode ser coincidência o fato de seu destino ter sido completamente ridículo e seu final abrupto e precipitado? Pode. Mas o histórico da série quanto a seus personagens não-brancos me faz pensar que o problema é mais profundo. Mesmo antes de Bill aparecer, o Décimo Segundo Doctor já estava destratando Danny Pink (Samuel Anderson), namorado de Clara Oswald (Jenna Coleman), um professor de matemática negro extremamente inteligente e decidido, de quem foi feito troça durante diversos episódios e que também ganhou um fim devastador. Me pergunto se ele teria tido o mesmo final se fosse branco. 

Pensando nos arcos de Mickey e de Danny, é possível inferir que o Doctor os trata de forma tão desdenhosa e até mesmo agressiva por ciúme de suas companions, já que ambos são ou foram namorados delas. No entanto, o mesmo não acontece com Rory Williams (Arthur Darvill), namorado e, posteriormente, marido de Amy Pond, uma das companions mais queridas do New Who. Rory é tratado com todo o carinho e respeito pelo Doctor — e, adivinhem, ele é branco. Não me parece ter sido ciúme o motivador de tamanha subestimação, afinal. 


Outro personagem negro negligenciado é Ryan Sinclair (Tosin Cole), companion da Décima Terceira Doctor (Jodie Whittaker). Ele é um jovem disléxico cuja avó, também negra, é morta já no primeiro episódio da décima primeira temporada. Então, ele passa a viajar com a Doctor, mas sempre é deixado de lado e tratado como se fosse um idiota — semelhante ao que aconteceu com Mickey nas primeiras temporadas do New Who. Preciso, entretanto, ressaltar que a Décima Terceira Doctor é muito mais gentil com ele do que o Décimo Primeiro jamais foi com Martha Jones. E é verdade que a série possui muito mais representatividade agora, com personagens não-brancos e não-héteros em destaque. Mas, ainda assim, é possível enxergar o racismo no arco narrativo de tais personagens. 

Embora Doctor Who seja uma das melhores séries já feitas, ela possui seus problemas. O maior deles, longe de ser a falta de orçamento das temporadas iniciais, consiste no padrão social das pessoas atrás das telas. Enquanto a série for escrita por pessoas brancas, dificilmente veremos verdadeiras mudanças no roteiro. E pode ser que continuemos esquecendo as Martha Jones da Terra enquanto mulheres dentro de um padrão arbitrário e limitante, mas nem de longe tão competentes e fortes como ela, seguem sob o holofote. 

4 Comentários

  1. Alarmante, para dizer o mínimo, né? Eu não acompanho Doctor Who, mas li o seu artigo e identifiquei semelhanças perturbadoras com TANTAS outras série e filmes... É de chorar de frustração. :(

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  2. Como ele pode ser tão maravilhoso se é racista? Não existe racista maravilhoso.

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    1. Oi, Larissa, tudo bem?

      Acho que você pegou uma palavra fora do contexto, a isolou e tentou problematizá-la. Vamos dar uma olhada no dicionário?
      De acordo com o Michaelis, maravilhoso:
      ma·ra·vi·lho·so
      adj
      1 Que maravilha ou causa grande admiração.
      2 Que é de grande beleza ou que encerra grandeza e perfeição; fascinante, perfeito, primoroso.
      3 Fora do comum; admirável, prodigioso, surpreendente.
      sm
      1 Aquilo que encerra maravilha.
      2 Aquilo que é ou parece extraordinário ou sobrenatural.
      3 LIT Intervenção de seres sobrenaturais, como deuses, magos, bruxos, numa tragédia ou epopeia, mudando o curso de sua ação.

      O que eu deixo bem claro no texto, especialmente na passagem que tu citou, é que o Doctor é maravilhoso porque ele maravilha as pessoas. É um alienígena numa máquina do tempo que salva a Terra. Todos os lugares, todas as épocas, tudo está à sua disposição. Ele é quase imortal, regenerando-se cada vez que algo lhe acontece. Tu não concorda comigo que as pessoas, apenas pessoas comuns como nós, como as personagens da série, se maravilham com isso? Eu acho que sim - e a série mostra esse maravilhamento.

      Agora, se tu estiver falando que estou errada em dizer que um racista é maravilhoso é porque entendeu que eu o estou elogiando. Obviamente não estou. Ele é racista e é maravilhoso porque as pessoas se maravilham com ele e com o que ele faz - tanto a ponto de não enxergarem o resto, as coisas horríveis, como o racismo.

      Entendeu?

      Abraço.

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  3. Parabéns pelo texto! Esse problema vem me incomodando há alguns anos, mas você foi muito mais longe e mostrou coisas as quais eu nunca tinha conseguido perceber. Obrigado!

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