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Byroniana


Eu amo e odeio o Lorde Byron na mesma proporção. Adoro sua poesia e seu comprometimento com a arte, mas tenho pavor de tudo o que dizem dele. Qual foi a minha surpresa, então, quando li a biografia das Marys e me deparei com os seguintes fatos: 

  1. eu tenho muita coisa em comum com o Byron; 
  2. também me identifico muito com o Percy Shelley; 
  3. deus do céu, eu sou basicamente uma versão contemporânea do boy lixo poeta do início do século XIX. 

Não foi muito agradável, eu diria. 

A bem da verdade, eu me identifiquei um pouco com todo mundo daquele círculo (menos com o Polidori, que mal é citado - como sempre, foi deixado de lado). Me reconheci numa Mary Shelley séria e organizada, tentando colocar ordem no caos. Me vi demais nas cartas que a Mary Wollstonecraft escreveu e na forma como ela fazia mil coisas para tentar ganhar a vida. Acho que só não me identifiquei com a Claire Clairmont porque aí já é um pouco demais - embora tenha achado bem sensata a decisão dela de partir daquele grupinho gótico e ir viver longe, trabalhando como governanta. Não havia muitas opções para uma mulher naquela época - era meio que casar ou trabalhar como governanta -, então me pareceu que ela entendeu que precisava trilhar o seu próprio caminho, o que foi melhor para todo mundo, inclusive para ela. 

Acho que é fácil eu me identificar com essa galera porque eles não estavam vivendo um momento tão diferente assim do meu: vinte e poucos anos, ainda tentando fazer algo, criar algo, viver por um ideal, ganhar a vida escrevendo e lendo e revisando e criando revistas literárias - mas já se dando conta de que as coisas são mais complicadas e, às vezes, é preciso largar mão de certos ideais para conseguir estabilidade financeira. São escolhas difíceis, e todo aquele grupinho gótico as enfrentou, cada um à sua maneira. 

Se é bom se identificar com eles, aí é outra história. 

Escrevi isto quando terminei a leitura do livro Mulheres Extraordinárias: as criadoras e a criatura. Resolvi postar hoje porque é aniversário da Mary Shelley e lembrei dessa pequena reflexãozinha que havia escrito. 

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