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A ascensão da rainha, de Rebecca Ross

A ascensão da rainha (The Queen's Rising, traduzido por Regiane Winarski) tem 378 páginas, que li em dois dias. Teria sido menos se não tivesse de dormir. O livro de Rebecca Ross me fez adentrar num mundo maravilhoso que reúne muito do que eu gosto: ficção histórica, bons protagonistas, fantasia, um romance interessante e referências sobre a Escócia de 1560. 

Enredo 

No reino de Valenia, as Casas do Conhecimento eram lugares onde apenas jovens ricas iam estudar. A Casa Magnalia era uma das melhores de Valenia, e todas as cinco alunas já estavam lá - mas uma nova candidata chegou. Embora a Viúva, que coordenava Magnalia, aceitasse apenas cinco alunas por vez, Brienna era uma exceção. Criada em um orfanato, seu avô a havia levado até lá para que ela estudasse uma paixão e também se refugiasse de uma ameaça que ela não sabia qual era. O que sabia era que sua vida tinha um grande vazio: sem mãe desde pequena, com um avô distante e sem saber quem era seu pai, exceto pelo fato de que ele era de Maevana, reino vizinho, Brienna teve uma infância estranha. Aos dez anos, estava na Casa Magnalia, mesmo sem ter nenhuma aptidão para as paixões. 

Arte, música, teatro, sagacidade e conhecimento - as cinco paixões ensinadas em Magnalia preparam suas ardens para, ao décimo sétimo ano de ensino, serem escolhidas por seus futuros patronos, pessoas que precisam de uma arden em seu trabalho. 

Brienna passou os sete anos em Magnalia estudando todas as paixões. Como não tinha aptidão inata para nenhuma, pulou de uma para a outra. No primeiro, foi a arte. Depois, a música, o teatro e a sagacidade. Apenas no quarto ano lá , Brienna procurou o Mestre Cartier, arial de conhecimento, para que ele pudesse ensiná-la. O pedido era quase impossível: ensinar a paixão do conhecimento em apenas três anos. Mas o Mestre Cartier aceitou Brienna como aluna, e agora, três anos depois, ela estava às vésperas de seu solstício de verão, onde seria apresentada a possíveis patronos e receberia seu manto da paixão. 

Mas as coisas não saem como o esperado e Brienna encontra-se num caminho diferente daquele que lhe foi destinado. A partir daí, nossa heroína descobrirá sua herança Maevana e partirá em uma jornada para colocar uma rainha novamente no trono vizinho. 

Sentimentos!!!!! 

Faz quase uma semana que terminei de ler esse livro e ainda estou pensando nele. Já li outros dois livros depois (um deles, a continuação desse, que é uma duologia, ainda não traduzido para o Brasil, The Queen's Resistance, cujas 500 páginas em inglês li em um dia - eu nem sabia que ainda era capaz disso haha), mas sigo retornando a esse, a mente querendo adentrar nos reinos de Valenia e Maevana, conhecer Brienna e Cartier, participar daquele mundo tão repleto de tradições e de uma história intrigante. 

E não se enganem: A ascensão da rainha é muito sobre história. Claro, quem não entender nada sobre a França e a Escócia do século XVI não vai se ver perdido, embora as referências a esses lugares nesse período sejam bem fortes. Mas não conhecer não atrapalhará sua leitura. O que digo quando me refiro a ser um livro sobre história é que justamente por Brienna ser uma arden do conhecimento, ensinada por Mestre Cartier, um arial do conhecimento, esse estudo é central na trama. Embora depois ela se torne mais política, com questões sobre estratégia de guerra e cenas de batalha, o papel da história e da importância do historiador é bem destacado - afinal, quem não conhece seu passado mal sabe do seu presente. 

Não vou dar spoilers, portanto não posso falar muito sobre as personagens, mas aqui fica a menção de que Cartier deve ser o homem mais apaixonante da ficção contemporânea. Apenas. A relação dele com Brianna pode parecer estranha no começo, mas logo torna-se muito natural e entendemos seus desdobramentos. De certa maneira, me lembrou bastante a dinâmica desenvolvida por Jane Austen em Emma entre a protagonista, Emma, e Mr. Knightley. 

E embora Brienna seja a protagonista (e Cartier tenha conquistado um lugar especial no meu coração, ainda que não tenha tanta presença no primeiro livro), as outras personagens são tão incríveis e bem desenvolvidas quanto. Jourdain, Luc, Isolde, as amigas de Brienna, as outras arials de Magnalia - especialmente Merei, arial de música e melhor amiga da protagonista. 

Basicamente toda história de fantasia é derivada de outras. (Aliás, eu diria que praticamente tudo é derivado de outra coisa; essa ideia de que algo é totalmente único, inovador, sem referência ao passado, é simplesmente ridícula, mas prossigo.) Claro que A ascensão da rainha bebeu de diversas fontes, e não será difícil para os leitores do gênero encontrar as obras que inspiraram a história. Mas jamais diria que isso a torna cansativa ou repetitiva: eu certamente não fazia ideia do que iria acontecer e levei excelentes surpresas durante a leitura. 

Se eu tivesse de escolher um livro no qual entrar para viver a história, esse seria certamente A ascensão da rainha. "Apaixonante" é pouco para descrevê-lo. 


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