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The seven husbands of Evelyn Hugo, de Taylor Jenkins Reid


Um dos meus primeiros interesses - antes da internet entrar na minha vida e eu conhecer o grande mundo da literatura e dos blogs - foi o cinema clássico. Por mais que hoje em dia eu não seja tão apaixonada pelos filmes do início do cinema quanto era antes, ainda sinto um grande carinho por eles e pelas pessoas que fizeram isso acontecer. Mas quando eu era mais nova, passava horas lendo sobre as vidas das atrizes de antigamente porque era tudo tão diferente e fascinante e eu simplesmente precisava saber daquilo! Quando li a sinopse do The Seven Husbands of Evelyn Hugo, sabia que iria gostar do livro apenas por essa vibe nostálgica do cinema clássico, mas não sabia que iria gostar tanto. 

Nunca havia lido nada da Taylor Jenkins Reid, mas fui obrigada a procurar por entrevistas dela após ler esse livro porque achei a escrita dela super tranquila e “vendável”, mas ao mesmo tempo com um forte apelo à realidade de uma forma que eu ainda não havia visto em livros de ficção histórica contemporânea. Isso porque a personagem cujo nome dá título ao livro, Evelyn Hugo, está longe de ser queridinha ou boazinha. Ela é uma mulher de 79 anos que já passou por sete casamentos, décadas de carreira como atriz em Hollywood e não foi sendo querida que ela conseguiu sobreviver ao que era ser uma mulher na era de ouro do cinema norte-americano. 

The seven husbands of Evelyn Hugo 
Taylor Jenkins Reid 
388 páginas 
Atria books 
Ano de publicação: 2017

Sobre o que é: Envelhecida e reclusa, a estrela de cinema de Hollywood Evelyn Hugo finalmente está pronta para contar a verdade sobre sua vida glamourosa e escandalosa. Mas quando ela escolhe a repórter da revista desconhecida Monique Grant para o trabalho, ninguém fica mais surpreso do que a própria Monique. Por que ela? Por que agora? Monique não está exatamente no topo do mundo. Seu marido a abandonou e sua vida profissional não está indo a lugar algum. Independentemente do motivo pelo qual Evelyn a selecionou para escrever sua biografia, Monique está determinada a usar essa oportunidade para alavancar sua carreira. Convocada para o luxuoso apartamento de Evelyn, Monique escuta fascinada enquanto a atriz conta sua história. Desde a sua chegada a Los Angeles na década de 1950 até a decisão de deixar o show business nos anos 80 e, é claro, os sete maridos ao longo do caminho, Evelyn revela uma ambição implacável, amizade inesperada e um grande amor proibido. Monique começa a sentir uma ligação muito real com a lendária estrela, mas à medida que a história de Evelyn se aproxima de sua conclusão, fica claro que sua vida cruza com a de Monique de maneira trágica e irreversível.

Mas além de toda a história glamourosa e repleta de escândalos da vida de Evelyn, há diversos pontos que se destacam no livro, como o fato de a autora ter se inspirado nas vidas de divas do cinema da época, pegando emprestado desde representatividade e mudanças obrigatórias que a mulher precisava fazer para conseguir papéis que fossem além da figura sensual latina-americana (no caso, a inspiração foi Rita Hayworth, atriz sex-symbol dos anos 40/50, que era de ascendência espanhola e teve de mudar os cabelos e o nome para poder sobreviver em Hollywood) até a vida de Elizabeth Taylor, que também passou por sete maridos e sobreviveu para contar sua história. Como eu já fui fã dos filmes dessa época, pude pegar diversas referências e entender melhor os propósitos da autora, mas não sei se outras pessoas entenderão. Porém, acredito firmemente que isso não atrapalharia de forma alguma a leitura, já que a narrativa é bem envolvente e ele não se resume a apenas isso. 

Apesar de todo o plot “diva do cinema clássico conta sua história repleta de escândalos da era de ouro e puritanismo disfarçado de Hollywood” certamente já chamar atenção por si mesmo e não precisar de complemento, Taylor foi além e inseriu um mistério na trama, fazendo o leitor se questionar por que Evelyn escolheu Monique Grant, uma jovem jornalista quase sem experiência, para escrever suas memórias - e insistiu que ou seria ela a escritora, ou não sairia biografia alguma. Quer dizer, a mulher ganhou o Oscar, é uma atriz com uma carreira consolidadíssima, certamente poderia ter escolhido qualquer outra pessoa - mas conforme a trama vai se desenrolando, percebemos os porquês de Evelyn ter escolhido Monique e devo dizer que fiquei bem satisfeita com o que é apresentado, não apenas a motivação, mas a forma com que a narrativa prende o leitor a ponto de ele querer descobrir esse grande porquê. 

Realmente amei o livro. Não virou um favorito porque faltou algo para isso. O livro é realmente muito bom, mas é uma leitura leve e despretensiosa, que faz pensar acerca de diversas questões, especialmente do lugar da mulher na indústria cinematográfica, mas não é algo reflexivo a ponto de ganhar cinco estrelas. No entanto, quatro são garantidas. 

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