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As melhores leituras de 2018


Li pouquíssimo em 2018 e, ao contrário de outros anos em que estava tranquila quanto a isso, estou meio decepcionada comigo mesma. Poderia ter feito muito melhor não apenas por uma questão de número, mas porque genuinamente gosto de ler e muitas vezes deixei os livros de lado para ficar literalmente olhando pra o vazio e sofrendo. Acho que se é pra sofrer, então que seja com uma boa história e não por conta de coisas que estão além do meu alcance. Por isso mesmo, a retrospectiva literária deste ano será um pouco diferente e decidi publicar esta lista das melhores leituras do ano antes porque não houve muita leitura, mas teve coisas boas - apesar da maior parte ter sido somente um grande nhé. Então, vamos lá. 


Nunca pensei que favoritaria um livro do John Green. Favoritei um livro do John Green. 
Como boa millennial que conheceu os livros do João Verde quando já estava saindo do Ensino Médio, suas histórias nunca me impactaram muito. Tem livro dele que eu detesto, tem livro que achei legalzinho, mas segui lendo porque ele de fato escreve muito bem e é prazeroso ler seus livros. Mas nunca achei que um deles entraria pra minha lista de favoritos da vida ou que me impactaria da forma como Tartarugas até lá embaixo me impactou. Me identifiquei profundamente com Aza, a personagem principal. Houve momentos em que literalmente parecia que John Green havia entrado na minha mente, lido meus pensamentos e transcrito tudo em forma de romance. A protagonista, que tem TOC, se tortura mentalmente com fobias e rituais que a acalmam, mas que mascaram um problema bem mais profundo. Quando eu era mais nova, antes mesmo de ter blog ou acesso a internet, tive sérios problemas com TOC e ler essa narrativa foi como dar um mergulho em mim mesma. Fora a experiência pessoal, o livro é lindíssimo e faz todo o sentido. 
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Tenho uma relação bem complicada com a literatura do Stephen King porque, apesar de eu amar terror, acho a escrita dele muito truncada na maioria das vezes. Ele não escreve mal, obviamente, mas seus livros tendem a ser detalhistas demais e isso me cansa, o que acaba atrapalhando o desenvolvimento narrativo. Mas isso não aconteceu com It. O livro, que tem mais de mil páginas, foi lido em doze dias. SIM, DOZE DIAS. Eu amei tanto, mas tanto que literalmente não conseguia largá-lo. Muito além de um palhaço assassino, a Coisa é a representação do medo e da loucura. Seu objetivo é enlouquecer as pessoas, trazendo o que há de pior nelas e, então, devorar suas almas. A construção do livro é perfeita, as personagens são incríveis e a cidade é apavorante. Foi um dos melhores livros do ano e entrou pra o roll de melhores da vida. 
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Desde o ano passado Connie Willis entrou pra minha lista de autoras preferidas com seu O Livro do Juízo Final. Fiquei ansiosamente aguardando o lançamento de Interferências este ano porque sabia que ia amar - mesmo que o livro seja sobre romances, o que está longe de ser um interesse meu. Mas confio na escrita da Connie e fui lê-lo de coração aberto. Foi a melhor coisa que fiz. Amo ficção científica, mas desanimei com as leituras dos clássicos sci-fi porque, em geral, eles foram escritos por homens que nem se davam ao trabalho de esconder seu machismo nas páginas. Por isso, ler mulheres que escrevem sci-fi é sempre algo maravilhoso, e o livro, apesar de ter uma história de amor, é uma das melhores ficções científicas que já li. Próximo a nossa realidade - mas não tanto a ponto de ser confundido com uma história real - o universo de Interferências é dominado pela tecnologia, a tal ponto que as pessoas estão fazendo cirurgias no cérebro para ficarem emocionalmente conectadas umas às outras. É a partir disso que Connie desenvolve uma história sobre amor, tecnologia e os limites das redes sociais na vida humana. 
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Esse leva o troféu Melhor Livro do Ano, pois 30 e poucos anos e uma máquina do tempo é realmente especial. Além de ser ficção científica escrita por mulher e falar do meu assunto preferido, viagem no tempo, se aprofunda em questões sociais relacionadas a machismo, gordofobia e violência contra a mulher. É lindo, envolvente, cativante e tem uma das melhores e mais verossímeis personagens que já li, a Lena, uma astrofísica que acabou se envolvendo com a maior descoberta científica do século, a realidade da viagem no tempo. Não conheço outros escritos da Mo Daviau, mas gostaria muito de ler as coisas que ela escreve pois que escrita maravilhosa! O jeito que esse livro mexeu comigo é único e só posso recomendá-lo com força a todos que quiserem ler uma ficção científica realmente bem escrita e longe de clichês machistas e ultrapassados. 
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Apesar de ter sido escrito por um homem, A máquina do tempo é um daqueles livros que merecem a fama que possuem. Como eu já disse, meu assunto preferido é viagens no tempo e esse foi simplesmente o primeiro livro a tratar da possibilidade. H. G. Wells era um jornalista cheio de ideias e que precisava de dinheiro (claramente meu futuro, risos). Por isso, decidiu se arriscar na ficção, pensando em como seria o futuro da humanidade num ano tão distante que mal podemos imaginá-lo. O resultado é realmente surpreendente e nos faz refletir o caminho que estamos trilhando. Virou um dos meus favoritos e me emocionou em diversas passagens. Leiam! 
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Gosto muito do Ian McEwan e sabia que iria gostar desse livro, mas não sabia que iria gostar tanto. A criança no tempo é um daqueles livros que se lê lentamente, com calma, e que mexem com você de uma forma intensa e profunda. A criança não é apenas a filha dele, que se perdeu, mas está presente em todas as personagens, sendo mais um arquétipo do que uma pessoa. E o tempo é elástico, relativo, distante e presente. É um livro sobre o luto, sobre sentir as coisas com intensidade e sobre se reestruturar, se reencontrar. Uma das coisas mais lindas que já li e que ainda quero reler algumas vezes. 
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2 Comentários

  1. Eu amo uma retrospectiva literáriaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!

    ''Muitas vezes deixei os livros de lado para ficar literalmente olhando pra o vazio e sofrendo...'' Que droga isso, né? Eu ri mas meu coração pesou.

    Fiquei com vontade de ler TODOS esses, sem exceção.

    Estou namorando It há SÉCULOS, mas não tem nas biblios em que sou sócia (como podeeeee?) e no momento tá difícil gastar 100 fucking pilas no bendito, sabe.
    Ainda não li Connie Willis e a vontade também tá grande.
    Que show que tu gostou bastante dA Máquina do Tempo. Eu tenho bastante probleminha com a escrita do Wells, mas esse livro faz a gente refletir de um jeito tão bacana sobre a civilização e a humanidade que eu não pude deixar de exaltá-lo um pouquinho também, quando fiz a leitura. A abordagem sobre a evolução é o melhor no livro. <3
    O Ian McEwan no momento é aquele meu escritor do ''nunca li mas tenho certeza que vou amar e vai virar favorito da vida'', sabe? COMO QUE O MUNDO AINDA NÃO ME DEIXOU LER IAN MCEWAN?!?!?! AAAAAAAAAHHHHHH

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  2. Amiga, eu amei tanto a sua retrospectiva! Tô com vontade de ler TODOS OS LIVROS, menos "A Máquina do Tempo", que já li e é também um dos meus favoritos da vida!
    Da sua lista, irei me esforçar demais para ler 'Tartarugas...' e "IT" no ano que vem, pois já os tenho na estante e já quero ler desde que saíram! O do Ian McEwan, confesso, estava com um pouco de receio, mas como você gostou muito, acho que vou tentar dar uma chance. Espero que eu goste tanto quanto você :)

    Que 2019 traga mais boas leituras para você, Mia!

    Beijos

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