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literatura & diarices

O último fim de semana das férias

~Edward Hopper~

É isto. Estou iniciando o meu ano de formatura e completamente ansiosa porque terei de me esforçar muito mais do que nos outros anos para conseguir fazer todos os trabalhos e cumprir com as propostas da faculdade, já que acabei deixando algumas disciplinas pendentes e agora vai ser abaixar a cabeça e fazer tudo. Mas, apesar do desespero que bate, adoro estar focada e fazer mil coisas, então estou meio que animada, porém já com saudade das férias, que mal pude aproveitar pois a vida, sempre me deixando doida cheia de coisas pra fazer. 

No fim de semana passado meus amigos, namorado e eu fizemos algo que havíamos nos proposto a fazer durante as férias inteiras, mas obviamente não fizemos: uma sessão pipoca com os filmes do Oscar. Acabou que só vimos um porque ficamos horas ruminando pra escolher o sabor da pizza (é sério, eu sou a pessoa mais fresca que existe pra comer, não me venham com calabresa, cebola e afins porque eu não como nada disso, não) e quando finalmente escolhemos e comemos já era bem tarde. Aí acabamos vendo A favorita, do Yorgurte, e ó: gostei. Incrivelmente eu era a única caindo de sono, pois sempre durmo cedo e não consigo olhar filme à noite sem dormir (uma senhorinha, claramente), mas gostei tanto que fui a ÚNICA a não dormir durante o filme. Todo mundo achou ele estranho demais pra gostar e apesar de eu realmente não curtir as bizarrices do Yorgurte, achei o filme bem bacana, especialmente por se focar apenas em mulheres, mostrar nuances de suas personalidades que geralmente não são mostradas em filmes (tanto de época quanto contemporâneos; geralmente as mulheres das telonas são caracterizadas com a profundidade de uma colher de chá, o que é sempre algo enervante) e não sexualizá-las apesar do elemento erótico. É tudo feito com naturalidade e num clima tenso da corte. Gostei bastante. Não virou amor da vida, mas as indicações ao Oscar são bem merecidas. 

Depois apresentei a meus amigos o universo maravilhoso de Crazy Ex-Girlfriend. Tanto o Vinicius quanto o Wellinton odeiam musicais, mas gostaram. Sofia e eu nos divertimos bastante pois REBECCA BUNCH, QUEM NUNCA. Essa série tem sido um abraço confortável nos últimos tempos e é ótimo poder compartilhá-la com gente que entende meu humor meio perturbado e que já está bem acostumado comigo cantarolando por aí enquanto faço literalmente qualquer coisa. Fora que a vibe feminismo é muito forte nela, o que é sempre bom porque a gente já se sente louca no mundo por defender um mínimo de respeito e não é como se as produções fossem gentis com feministas. Ver séries como essa, que tratam o feminismo de forma séria e ao mesmo tempo didática, é sempre um alento. 


Passamos a noite lá e o dia seguinte foi, pra dizer o mínimo, peculiar. Sábado de verão em Porto Alegre é sempre uma desgraça porque THIS IS THE BAD PLACE. Aqui é abafado demais, o calor é forte, intenso e deixa todo mundo suando horrivelmente. Aí fomos fazer o quê? O que todos os jovens fazem em sábados de verão nas férias: APRENDER PERSA. É isso mesmo: ficamos assistindo um vídeo sobre linguística do persa e treinando uns com os outros. Balada? Beber até cair? Orgias? Que nada, o legal é aprender persa com seus amigos. Pra qual finalidade jamais saberemos, mas foi bem divertido e instrutivo. Recomendo. 

Como se não bastasse a bizarrice de aprender persa, fizemos o quê? Assistimos a um documentário sobre Jiro, um senhor de 85 anos (na época) que trabalhava como sushiman há 75 anos. Ele é japonês e o documentário é todo em japonês e, por mais interessante que seja, é perturbador demais ver as ideias do Jiro sendo expressadas naquela naturalidade toda no documentário. Quer dizer, ele respira o trabalho. Odeia feriados porque não pode trabalhar. Tem um restaurante de sushi numa estação de trem e é tão requisitado e perfeccionista que cobra o equivalente a mil reais por peça de sushi. Sim, você leu certo: mil por peça. Imagina. E não pára por aí: ele serve o sushi e fica ENCARANDO o cliente enquanto a pessoa come. É desconfortável demais. Seus filhos trabalham com ele e ele não permitiu que eles estudassem, porque o trabalho é a única saída. Claro que o Japão possui toda uma cultura diferente da nossa e lá isso é tido como algo honrável e etc, mas mesmo assim a sensação foi de um quase desespero ao ver aquilo. 


Foi isso. Depois, fomos pra casa e passamos um domingo bem normal. Agora, durante esta última semana de férias, a única coisa que estou conseguindo fazer é assistir a realitys de culinária porque está calor demais para ler ou escrever de forma coerente e organizada (o que vocês já devem ter percebido por este post, risos). Estou ansiosamente esperando pelo frio. Não sei lidar com calor, não entendo como as pessoas conseguem gostar disso.

Enquanto isso, fico aqui pensando se deixo o blog apenas literário ou se escrevo meus textos diarinho. Gosto muito de escrever sobre meu dia-a-dia, mas não gosto que este blog tenha como url o meu nome. Por algum motivo, lá pelos meus 16 anos, achei que fosse uma boa ideia, mas agora vejo que foi bem péssima e não sei como mudar isso. Escrever em newsletter? Já tentei e não deu muito certo, mas pode ser uma alternativa. Mudar a url/domínio do blog? É uma grande questão, mas não encontro um nome adequado. Por agora, vamo que vamo assim mesmo. Até mais. 

4 Comentários

  1. só vocês mesmo para assistir o documentário de um sushiman que fica encarando seus clientes hahaha

    muito bom, pena que não deu pra ir

    quanto a URL, seria uma boa se tu não quiser exposição. confesso que adoro esses posts cronísticos

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  2. Gosto de pessoas inovadoras porque eu por exemplo jamais pensei em aprender persa hahaha
    Sou a favor dos posts diarinho, viu? <3

    Limonada

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  3. Sou a favor dos posts diarinho, viu? <3 [3]

    Mais uma. o/

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  4. Super do time dos posts diarinho <3

    E, engraçado, diferente de você eu só consegui me 'encontrar' quando coloquei o meu nome na url e título do blog. Eu sou muito metamorfose e não tenho um nicho. Não sei escrever sobre uma coisa só, e já tive vários blogs com vários nomes. Mas onde consegui me expressar melhor foi no "meu nome". Curioso é que no início do ano eu até ensaiei um novo blog (comprei domínio e tudo =/), mas não consegui colocá-lo no ar, justamente pq ele tinha um título diferente. Ah, não sei. Como já disse, sou muito metamorfose e pode ser que amanhã eu não veja o menor sentido em ter um blog com meu nome. A doida, né?

    Beijos!

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