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Acho que minha felicidade está em um romance gótico



Ontem eu queria assistir algo que me deixasse feliz e, sem pensar muito, dei play em Jane Eyre (2011). A história todo mundo conhece: jovem menina órfã, rejeitada pela tia, que vai para um internato para meninas e, ao crescer, acaba trabalhando como governanta na casa de um homem misterioso e meio bruto, mas que desenvolve uma paixão por ela. Como tudo o que as Brontë escreveram, Jane Eyre é duro. Ainda que esse seja um dos romances mais otimistas das irmãs, existe muito sofrimento e a eterna sensação de estar fazendo a coisa errada, no lugar errado, de não-pertencimento e de que para haver uma recompensa é preciso muito sacrifício. Essa é uma noção muito cristã e vitoriana que não se aplica hoje em dia - e nem deveria se aplicar, sinceramente. É também uma noção dura e pesada mas, por algum motivo, me faz feliz. 

Não concordo com esses valores cristãos e torço o nariz para as normas de conduta vitorianas, mas aquele clima tempestuoso, os cenários da natureza que se mesclam com as emoções das personagens, os vestidos sóbrios, os sentimentos profundos, tudo isso me deixa feliz de uma forma que não sei explicar ao certo. Tudo era mais lento e experienciado com maior intensidade do que hoje em dia. Claro, é impossível comparar uma época à outra sem ser injusta. Muitas transformações sociais aconteceram de lá para cá, em sua maioria para melhor. Mas não consigo deixar de me encantar com romances góticos vitorianos e de escapar para lá sempre que tenho a oportunidade. 

Mr. Rochester é super problemático e é complicado simpatizar com ele, um homem que prendeu a esposa no porão porque ela tem transtornos psicológicos. Mas a época era outra e, como ele bem próprio explica, ou era isso ou era interná-la em um manicômio, onde a condição de vida era sub-humana. Ainda assim. Mr. Rochester está longe de ser um herói vitoriano - talvez ele seja um herói byroniano, mas isso é assunto para outro texto -, mas ele é um dos melhores homens das irmãs Brontë. Todos são brutos e de moral duvidosa, mas ele tenta fazer o certo, o que já é algo. No entanto, eu não gostaria de estar na pele de Jane Eyre. 

Porém, me sinto abraçada por essas histórias góticas de mulheres que tentam encontrar seu caminho no mundo e deparam-se com situações sinistras e mistérios sombrios. Eu não sei exatamente o quê me atrai tanto nisso, mas essas histórias são meu conforto desde a infância - e continuam sendo um lugar especial principalmente agora, neste mundo louco e pandêmico. 

4 Comentários

  1. me identifiquei muito, mia :)
    ano passado eu peguei jane eyre pra ler, porque quis participar de um clube de leitura, e me surpreendi muito.
    lembro que dias antes eu tinha começado a ler "meu ano de descanso e relaxamento", porque achei que seria um livro bem relaxante e gostoso de ler, mas me enganei (primeiro porque a história é bem tensa e segundo porque não me apeguei nadinha ao livro haha). me deixei levar pelo título e pela capa fofa.
    quando parei aquele e comecei a ler jane eyre, pelo contrário, eu amei muito!! me distraía demais, entrada na história bem fundo, enfim, era aquilo que eu precisava.
    senti o mesmo lendo 'orgulho e preconceito' e 'mulherzinhas'.
    passo raiva em quase todos, mas é sempre um ótimo entretenimento :D

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  2. oiew
    eu amo esse filme, choro horrores. me traz tristeza, mas é reconfortante, não sei explicar rsrsrs
    beijo!

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  3. Viu que a Darkside lançou um livro chamado Vitorianas Macabras? É a sua cara, amiga! <3

    Limonada

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  4. Eu AMO Jane Eyre, amo as Brontë, minha adolescência foi recheada de histórias e poemas góticos de melancolia e amores sofridos. Acho que o que nos atrai nessas histórias é a visão poética e melancólica do amor

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