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Até quando Outlander usará estupro como recurso narrativo?


Embora seja uma das minhas séries preferidas e uma das mais bem-feitas da atualidade, Outlander possui um problema recorrente. Ao longo de cinco temporadas, a série não mediu esforços ao utilizar cenas de estupro como recurso narrativo. Seja para estreitar laços entre pares românticos, para causar grandes mudanças de vida ou mesmo para que determinada personagem fosse inserida num drama de paternidade da criança que espera, Outlander faz questão de usar a fórmula “estupro” para tudo. 

Existem tantos problemas envolvendo tal escolha narrativa que é até difícil começar a elencá-los mas, para início de conversa, o estupro é uma violência extrema feita contra uma pessoa, geralmente uma mulher, que a traumatiza para o resto da vida. Utilizá-lo como forma de fazer a personagem crescer dentro de uma história, além de completamente irreal, deixa uma mensagem clara: existe um lado bom em ser estuprada. Lamento informar, mas não, não existe. Na esmagadora parte das vezes, não é possível nem ter a satisfação de ver seu agressor condenado e publicamente humilhado, já que as pessoas nem acreditam que o estupro ocorreu — e, quando acreditam, culpam a vítima. No entanto, Outlander não percebe como funciona, de fato, a realidade das vítimas de estupro. Ironicamente, o argumento dos produtores para que a série seja dessa maneira é que ela se baseia na realidade violenta das mulheres no século XVIII. 

Tal argumento é simplesmente preguiçoso. Primeiro porque não existem dados que suportem a afirmação de que as mulheres eram mais estupradas em séculos anteriores do que agora. Não sei se a produção de Outlander acompanha as notícias sobre índices de violência sexual, mas a quantidade de abusos que existem atualmente é massiva. Ainda que as leis da época fossem mais rígidas com mulheres, muitas vezes enxergando-as como menos do que humanas, a mentalidade era outra, as circunstâncias também e não é possível fazer um comparativo real já que, embora alguns casos fossem registrados, não é como se pudéssemos confiar num registro seguro de todos os estupros praticados no século XVIII quando nem hoje em dia nós temos denúncias que se equiparem aos números de abusos realmente cometidos. Mas também é estupidez inferir que, naquela época, os estupros eram uma realidade muito mais palpável do que agora baseando-se somente no pensamento de que nós, pessoas do século XXI, somos mais avançadas do que aquelas de séculos passados, que mal sabiam o que era tomar banho (outro estereótipo errado sobre a época, mas não entrarei em detalhes). 

Outlander não é uma simples ficção histórica cuja força motriz assenta-se na verossimilhança com o século XVIII: é, antes de tudo, uma história sobre uma mulher que, magicamente, numa noite de Samhain, após assistir a um ritual celta, viaja no tempo ao tocar em uma pedra gigantesca. Repito: é sobre uma mulher que viaja no tempo tocando numa pedra. Me pergunto onde estava o escrúpulo histórico da autora, Diana Gabaldon, e dos produtores da série, ao não se importarem em incluir tal narrativa — mas acharem que, num mundo fantástico onde pessoas viajam no tempo através de pedras, é completamente inaceitável que mulheres não sejam estupradas a cada vez que encontram-se sozinhas. 


Se isso tivesse acontecido somente uma vez, seria considerado uma escrita preguiçosa e um péssimo recurso narrativo, mas não seria tão incomodativo quanto o que realmente fizeram. Em todas as temporadas, há pelo menos uma cena de estupro envolvendo as personagens principais — fora as diversas menções ou sugestões (às vezes explícitas) de violência sexual contra personagens secundários ou terciários. Na primeira temporada, temos o horroroso estupro de Jamie (Sam Heughan), que dura um episódio inteiro entre torturas e abuso sexual. É um episódio extremamente difícil de se acompanhar e que, para além do absurdo que é utilizar estupro como recurso narrativo, passa uma mensagem extremamente errada ao mostrar o único personagem gay da série, até então, como um estuprador. Inserir isso numa narrativa é dizer que os homens gays da época se valiam de estupro para terem sexo, coisa não muito diferente do que Ryan Murphy, por exemplo, faz em Hollywood ao colocar um personagem gay como uma figura de autoridade dentro do meio cinematográfico que abusava sexualmente de jovens atores em potencial para satisfazer seus desejos lascivos em segredo. A diferença é que Hollywood se passa no final dos anos 1940, mas a escolha narrativa é a mesma: se você for gay numa época em que ser gay era crime, então você automaticamente será escrito como um estuprador. Outlander só corrige um pouco essa mensagem na terceira temporada, quando Jamie conhece Lorde John Gray (David Berry), um homem em alta posição de poder dentro do exército britânico que apaixona-se por Jamie mas, ao ser rejeitado, aceita apenas sua amizade e não o força a nada. Lorde John é certamente um dos melhores personagens da série, mas ele não apaga o mal que fizeram com toda a caracterização preconceituosa e problemática de Black Jack Randall (Tobias Menzies), o algoz de Jamie — nem o problema do abuso sexual retratado daquela maneira. 

Outlander utilizou estupro como recurso narrativo várias vezes. Para citar algumas, o sofrido por Jamie, na primeira temporada, é o que mais marca a mente do público, mas também há aquele de que a própria Claire, quando ela recém havia casado com Jamie, é vítima, em campo aberto, sem nem ao menos ter tempo para que ela se recuperasse do trauma — logo, já teve de sair correndo junto de todos os outros homens do clã. Muitas pessoas nem consideram tal cena como estupro, ainda que seja bem clara a imagem do soldado abrindo a braguilha da calça e fazendo movimentos sexuais em cima de Claire. Mas não para por aí: na terceira temporada, Claire é obrigada a fazer sexo com Louis XV, o que muitos fãs também não consideram como estupro, já que ela “consentiu”. Mas consentimento é algo dado por livre e espontânea vontade, não por circunstâncias que lhe colocam contra a parede, quando o rei soberano da França diz que ou ela deixa ele fazer o que quiser, ou seu marido permanecerá preso e, possivelmente, morrerá. Também não é lembrado o estupro de Fergus, que ainda era criança quando foi abusado por Black Jack Randall. Durante a terceira temporada, temos também Mary Hawkins e um terrível estupro que sempre é esquecido. Ian, sobrinho de Jamie, também é drogado e estuprado a bordo do Bakra, por Geilles Duncan, durante dias. E, na quarta temporada, temos a horrorosa cena em que Brianna é abusada em uma taverna, enquanto homens ouvem seus gritos e decidem ignorá-los para que seu abusador possa se satisfazer completamente. Agora, no final da quinta temporada, Claire foi mais uma vez estuprada — dessa vez, na pior cena de toda a série, durante um estupro coletivo que a leva a dissociar. Existem outras tantas cenas de abuso sexual espalhadas pela série que seria possível montar uma lista extensa, mas essas são as principais — e são terríveis. 

Em nenhum momento, durante todos os estupros e quase-estupros que sofreu, é permitido a Claire lidar lentamente com seu trauma. Quando quase foi estuprada por Black Jack Randall, ainda na primeira temporada, ela sai fugindo com os homens do clã, que a salvaram — mas contra sua vontade, temendo outro tipo de abuso; quando o oficial britânico a estupra a campo aberto, ela o mata e, após breves minutos de choque pelo sangue em suas mãos, segue caminho com Jamie e o clã e o assunto não mais é mencionado; no momento em que o rei da França exige estuprá-la em troca da vida de Jamie, ela não se defende e, ao contar para Jamie, ele recebe a notícia como se fosse nada. Enquanto os homens que sofreram abuso sexual na série (Jamie, Fergus, Ian) possuem momentos onde realmente reconhecem o trauma, discutem sobre o que significa ser sexualmente abusado e recebem apoio para lidar com ele, a mensagem a respeito do estupro feminino é clara: isso não significa nada, isso acontece todos os dias, pare de reclamar. 

Pode ser que algumas pessoas digam que a culpa não é de quem faz a série, já que Outlander é adaptada dos livros escritos por Diana Gabaldon. Mas é preciso apontar uma coisa: caso não tivessem escolhido trilhar o caminho escrito por Gabaldon, a série ainda existiria e seria bem melhor. E não teria sido a primeira vez nem a última que uma adaptação literária não segue à risca a história criada por seu autor. Nem sempre é uma boa ideia adaptar fielmente um livro. No caso de Outlander, a série mais perde do que ganha. 


A cereja do bolo foi o estupro de Claire no último episódio da quinta temporada. Até então, essa havia sido a melhor temporada de Outlander, com arcos narrativos sensíveis e desenvolvimento de questões sentimentais que haviam sido iniciados em anos anteriores, mas eles simplesmente chutaram o balde e disseram: “não, não podemos ter uma temporada sem estupro”. E foi assim que decidiram fazer uma season finale com uma dolorosa cena, que se estende por longos minutos, de agressão, tortura e estupro coletivo. Sim, coletivo: são pelo menos três os homens que estupram uma Claire amarrada e amordaçada em tela enquanto outros tantos se preparam para sua vez. É simplesmente a coisa mais horrível que Outlander já fez sobre violência sexual até então. Assistir Claire ser repetidamente violentada é terrível. Não pude conter as lágrimas vendo aquela cena e me perguntei se a produção da série e a autora dos livros odeia mulheres tanto assim a ponto de não conseguir criar nenhum outro arco para suas personagens que não envolva abuso sexual. 

Em entrevista ao The New York Times, Diana Gabaldon, autora dos livros e consultora da série, disse que: “Eu tinha um objetivo que tem muito a ver com a resiliência do espírito humano. Não estamos tratando o estupro como algo destrutivo que arruína a vida inteira de uma pessoa”. Para a autora, um estupro é um recurso narrativo para mostrar a resiliência do espírito humano. Não é, de forma alguma, algo que destrói a vida de alguém. Com tal declaração, sabemos de duas coisas: a primeira, que Diana Gabaldon nunca ouviu de verdade uma vítima de estupro para saber como ela se sente a respeito; a segunda, que ela não possui o mínimo senso de empatia. Segundo a autora, ela tomou tal decisão narrativa justamente por ouvir vítimas de estupro mas, particularmente, duvido disso. Acredito que ela possa até ter conversado com alguém que passou por tal situação, mas não me parece que ela tenha tido empatia suficiente para entender o quão errado é aproveitar-se de uma das piores violências pelas quais uma pessoa pode passar e transformar tal crime em algo que não é: numa oportunidade para crescer, amadurecer ou tornar-se mais forte. Fazer isso é como agradecer ao estuprador por ter abusado de sua vítima. Na mesma entrevista, ela ainda fala orgulhosamente sobre como a cena na série é muito pior do que nos livros, porque no livro Claire é penetrada (sim, essa é a palavra utilizada por ela) por apenas um homem, e não de modo violento, mas, na série, ela e a produção decidiram que seria mais impactante ter uma fila de vinte homens revezando-se para abusar da personagem. Eu não sei nem como começar a explicar o quão errado isso é. 

Caitriona Balfe, que recentemente se tornou uma das produtoras do show, afirmou em entrevista que “nós precisamos mostrar que ser forte não é somente andar pela vida sem que as coisas lhe afetem. Ninguém é assim. Isso não é humano”. É verdade, as coisas nos afetam — mas essas coisas precisam ser estupros? Tantas e tantas e tantas vezes? Uma mulher não pode andar sozinha em Outlander sem ser estuprada — como isso é empoderá-la, nas palavras da própria Caitriona na mesma entrevista já citada? A linha de raciocínio das pessoas por trás de Outlander está simplesmente fora de eixo. Em outra entrevista, dessa vez dada para a Elle, Caitriona afirma que todo o ponto da narrativa do estupro coletivo de Claire é mostrar que ela não é uma supermulher, que ela não possui tudo sob controle. Sim, é verdade, protagonistas femininas consideradas fortes geralmente são vistas como inabaláveis. Mas há outras formas muito melhores e menos preguiçosas e problemáticas de escrever um arco que contemple tal tema sem a necessidade do abuso sexual. Porque não há nada — repito, nada — de bom em ser abusada. Não há nenhuma lição a ser vista ali, apenas violência, dor e trauma.

A cena do estupro coletivo só não se torna pior porque tiveram a brilhante ideia de mesclá-la com um estado dissociativo de Claire, que sai um pouco da horrível realidade que está enfrentando ao transportar-se para um jantar nos anos 1960, com toda sua família de Fraser’s Ridge. Isso foi delicado da parte da série, mas não chega nem perto do aceitável — a começar porque nem haveria necessidade de tal dissociação caso não tivessem colocado cerca de vinte homens estuprando a personagem. Ainda nas palavras de Caitriona: “O ataque se mostra inevitável porque Claire sempre se comprometeu a usar seu conhecimento do futuro para ajudar mulheres. Ela enxerga isso como seu dever e não se arrepende de fazê-lo. Infelizmente, seria inevitável que homens daquele período, se soubessem o que ela estava fazendo, quisessem puni-la”. Particularmente, posso pensar em algumas formas narrativas para fazer com que Claire não fosse “punida” com um estupro coletivo por praticar medicina. Quer dizer, essa é a série onde pessoas viajam no tempo por meio de pedras. Por que seria tão absurdo fazer com que mulheres não fossem estupradas o tempo inteiro? 

Fazer uso do argumento de que, por se passar no século XVIII, é preciso haver o estupro recorrente, pois era uma realidade da época, é também dizer que todas as produções televisivas e cinematográficas do século XXI precisam mostrar alguma personagem sendo estuprada, já que a taxa de abuso sexual atualmente é de 1 em cada 3 mulheres. Mas nós não temos isso em filmes e séries que representam o agora porque, dentre diversos motivos, nem toda história é sobre abuso. Existem outras narrativas — mesmo numa série de “ficção histórica”. 


Se as pessoas por trás de Outlander estivessem preocupadas em tornar a ficção histórica da série o mais acurada possível, então as personagens deveriam, em primeiro lugar, possuir o corpo e o rosto marcados por cicatrizes de varíola, uma doença extremamente comum na época que deixava as pessoas com o rosto repleto de marcas. Mas não, todo mundo ali é bonito no padrão do século XXI, sem manchas no rosto nem em locais visíveis. 

Devemos lembrar que essa não é a primeira vez que Claire é estuprada na série, mas é a primeira vez que decidem mostrar o sofrimento psicológico dela após o abuso. Isso, no entanto, não dura muito: menos de vinte minutos após ser resgatada — e nem dois dias depois do estupro em si —, Claire já está na cama com Jamie, nua, dizendo sentir-se segura em seus braços. Pronto, trauma encerrado. Enquanto Jamie teve episódios inteiros sobre seu sofrimento da primeira temporada, o estupro de Claire é usado apenas e tão somente para demonstrar como ela é forte e inabalável, já que passou por diversas outras violências, algumas sexuais também, e ainda assim conseguiu recuperar-se rapidamente. Isso é ofensivo. 

Há uma desculpa para isso nos livros. É insinuado que eles fazem sexo logo após o estupro para que, caso Claire engravide, exista a possibilidade de que o filho seja de Jamie. Aí, voltamos ao drama de Brianna na 4ª temporada: realmente importa a paternidade? Qual é a diferença? A mulher acabou de ser estuprada e a preocupação é em transar para que o possível filho seja do casal, e não do estupro? 

A Dra. Katie Foss, professora de estudos da mídia na Middle Tennessee State University, declarou: “O estupro não pode ser ignorado na sociedade, nem suas vítimas. No entanto, isso não significa que ele precisa ser construído visualmente, de forma a glorificar a violência e a opressão”. Maya Rodale, autora de Dangerous Books for Girls: The Bad Reputation of Romance Novels Explained, disse: “Às vezes, as pessoas tentam dizer que vão retratar um tratamento horrível a mulheres em nome da veracidade histórica. Eu acho que isso é horrível e errado. Mas, especificamente, por quê? Porque nós temos uma escolha. Você ainda pode ser super historicamente correto e não degradar horrivelmente suas personagens. Incluir estupro é uma escolha”.

É possível apoiar-se em desculpas sobre como a série apenas retrata os livros, que se trata de uma ficção histórica e, por isso, a violência sexual é tão abordada… Mas essas são apenas desculpas fajutas. A verdade é que colocar estupro como recurso narrativo é uma escolha. Num mundo com viagens no tempo, pedras mágicas e profecias sobre o futuro, me parece irreal argumentar que seria inevitável que Claire, Brianna e tantas outras personagens fossem estupradas apenas baseando-se no argumento da veracidade histórica. Quando você cria um enredo, você faz as regras. Mas parece que viajar no tempo através de pedras é acurado o suficiente, mas não estuprar as personagens para dar-lhes desenvolvimento de personalidade é ousado demais para Outlander

14 Comentários

  1. Oi, Mia.
    Essa série é muito bem falada, sejam os livros ou a série.
    Eu,particularmente, nunca tive vontade de ver. Agora tenho certeza que nunca vou. 😅
    Eu adorava um seriado da Netflix chamado The affair, mas parei de ver justamente porque usa o abuso como recurso muitas vezes. Lembro de 3 ocasiões, claramente, mas acredito que tenham acontecido mais vezes. É muito triste isso, ver que algo que muda tanto uma pessoa está sendo tratado com tanta banalidade. Muita coisa que acontece acredito que "ative" a resiliência de uma pessoa mas, sinceramente, duvido muito que o estupro seja uma dessas coisas.
    Beijos!

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  2. Nossa eu não tenho nem palavras para descrever o que estou sentindo após ler esse seu artigo. Eu particularmente nunca li os livros e até tentei assistir a série, mas nunca passei dos primeiros ep, é uma série pesada no meu ver e não me agradou de diversas formas e caramba depois de ler esse seu artigo eu percebo que ela é mais problemática do que eu imagina, e não é só ela, inúmeros trbalhos tendem a relatar o estupro em mulheres como algo banal que as torna ainda mais inabalaveis como você mesmo disse. Eu tendo a abandonar coisas que relatem o estupro de forma tão leviana, como você disse soa como se a produção não tivesse empatia, não levasse em consideração os traumas e tudo que vem junto com eles para a vida da vitima.

    Muito bom seu artigo de verdade, mandei para várias pessoas, acho que abre os olhos sabe. Parabéns e vou te acompanhar sempre :)

    www.resquicios.com

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  3. Mas o estupro coletivo ocorre no livro...Não acho que romântizam o estupro é infelizmente naquela época retratada pela série,violação de mulheres e crianças era comum. Não tinham a visão que temos hoje

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    1. Ok. Você tem certeza de que você leu o artigo todo?

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  4. Eu assisti a primeira temporada e dois episódios da segunda. Confesso que já estava incomodada por colocarem a protagonista em diversos cenários de abuso, mas como vc falou brilhantemente, os abusos sofridos por Claire não demonstram tanto peso quanto os que são acometidos a personagens masculinos. A série parece ter sido criada para alimentar o machismo e não para apontar as problemáticas dessa cultura. Não consegui dar continuidade, pois até onde parei o martírio do Jamie estava me dando gatilhos e me causando muito mal. Até considerei procurar ajuda psicológica, pois não consigui comer nem dormir após ter assistido aquelas cenas. Avancei as cenas várias e várias vezes, mas são lembradas e revivida diversas vezes e não pude fugir. Eu mesma me senti violentada, tendo um peso ainda maior pois já sofri com abuso na infância e as marcas estão me mim até hoje. O roteiro foi muito realista ao demonstrar a vergonha e culpa que sentimos quando somos violados, mas pesou tanto a mão para retratar o abuso de um homem e em nenhum momento teve a mesma empatia para fazê-lo com mulheres. Outra coisa que me incomoda é o sucesso que esta série tem feito, e não é para algo positivo. As pessoas não enxergam o quão problemática ela é. As mulheres romantizaram os cenários apresentados na série além de terem hiperssexualizado o Jamie. Parece que os estupros não causaram repulsa e incômodo nas pessoas como causou a mim e poucas outras pessoas que busquei pela Internet. Isso só reforça o quanto a cultura do estupro está enraizada, pois todos enxergam como algo natural, não está incomodando como deveria. Isso me choca e me perturba ainda mais.

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  5. Olá, boa tarde! Eu assisti à série e de fato a questão dos estupros rotineiros é problemática e preocupante. Eu fiquei bastante chateada quando Jamie falou a Brianna sobre perdão, em se tratando do abuso que ela sofreu. Como assim?! E a justiça e as consequências? Estupro não é normal e nunca deve ser minimizado. Não gostei nem um pouco desse pensamento, visualização e romantização da autora, num tema tão sério como esse. Ninguém precisa passar por uma violência sexual para amadurecer plenamente, menos ainda para demonstrar força e obstinação. Depois de ver a série, perdi o interesse em ler os livros. Aliás, justamente por causa do último episódio da quinta temporada eu acabei por desistir da série. Nunca consegui assistir na íntegra os episódios que ocorrem os estupros e ou outras formas de tortura. A violência que a Claire sofreu foi o último prego no caixão da motivação de continuar seguindo o seriado.

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  6. Olá, boa tarde! Eu assisti à série e de fato a questão dos estupros rotineiros é problemática e preocupante. Eu fiquei bastante chateada quando Jamie falou a Brianna sobre perdão, em se tratando do abuso que ela sofreu. Como assim?! E a justiça e as consequências? Estupro não é normal e nunca deve ser minimizado. Não gostei nem um pouco desse pensamento, visualização e romantização da autora, num tema tão sério como esse. Ninguém precisa passar por uma violência sexual para amadurecer plenamente, menos ainda para demonstrar força e obstinação. Depois de ver a série, perdi o interesse em ler os livros. Aliás, justamente por causa do último episódio da quinta temporada eu acabei por desistir da série. Nunca consegui assistir na íntegra os episódios que ocorrem os estupros e ou outras formas de tortura. A violência que a Claire sofreu foi o último prego no caixão da motivação de continuar seguindo o seriado.

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  7. Olá, boa tarde! Eu assisti à série e de fato a questão dos estupros rotineiros é problemática e preocupante. Eu fiquei bastante chateada quando Jamie falou a Brianna sobre perdão, em se tratando do abuso que ela sofreu. Como assim?! E a justiça e as consequências? Estupro não é normal e nunca deve ser minimizado. Não gostei nem um pouco desse pensamento, visualização e romantização da autora, num tema tão sério como esse. Ninguém precisa passar por uma violência sexual para amadurecer plenamente, menos ainda para demonstrar força e obstinação. Depois de ver a série, perdi o interesse em ler os livros. Aliás, justamente por causa do último episódio da quinta temporada eu acabei por desistir da série. Nunca consegui assistir na íntegra os episódios que ocorrem os estupros e ou outras formas de tortura. A violência que a Claire sofreu foi o último prego no caixão da motivação de continuar seguindo o seriado.

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  8. Olá, boa tarde! Eu assisti à série e de fato a questão dos estupros rotineiros é problemática e preocupante. Eu fiquei bastante chateada quando Jamie falou a Brianna sobre perdão, em se tratando do abuso que ela sofreu. Como assim?! E a justiça e as consequências? Estupro não é normal e nunca deve ser minimizado. Não gostei nem um pouco desse pensamento, visualização e romantização da autora, num tema tão sério como esse. Ninguém precisa passar por uma violência sexual para amadurecer plenamente, menos ainda para demonstrar força e obstinação. Depois de ver a série, perdi o interesse em ler os livros. Aliás, justamente por causa do último episódio da quinta temporada eu acabei por desistir da série. Nunca consegui assistir na íntegra os episódios que ocorrem os estupros e ou outras formas de tortura. A violência que a Claire sofreu foi o último prego no caixão da motivação de continuar seguindo o seriado.

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  9. Olá, boa tarde! Eu assisti à série e de fato a questão dos estupros rotineiros é problemática e preocupante. Eu fiquei bastante chateada quando Jamie falou a Brianna sobre perdão, em se tratando do abuso que ela sofreu. Como assim?! E a justiça e as consequências? Estupro não é normal e nunca deve ser minimizado. Não gostei nem um pouco desse pensamento, visualização e romantização da autora, num tema tão sério como esse. Ninguém precisa passar por uma violência sexual para amadurecer plenamente, menos ainda para demonstrar força e obstinação. Depois de ver a série, perdi o interesse em ler os livros. Aliás, justamente por causa do último episódio da quinta temporada eu acabei por desistir da série. Nunca consegui assistir na íntegra os episódios que ocorrem os estupros e ou outras formas de tortura. A violência que a Claire sofreu foi o último prego no caixão da motivação de continuar seguindo o seriado.

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  10. A história não é o mundo de Bob, ou você a retrata como era ou viverá reescrevendo a história. Apresentar o quão nojento é o homem daquele século é algo importante, fazer de contas não ajuda em nada se tratando de algo como era. Essa palhaçada de reescrever histórias, ocultar fatos ou fantasiar realidades é coisa de gente covarde. Não repetí-la é algo imprescindível.

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  11. Nossa eu estou revoltada pelo que fizeram a Claire passar,fiquei pensando o que se passar na cabeça sordida da autora e dos roteristas da série. E pra quê tdo tudo q aconteceu?
    Na realidade acho q só propaga mais a violência.
    Odiei!!!


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  12. Ok, poderia ter sido feita com uma releitura do livro no que diz respeito a quantidade de estupros. Porém, não foi. Independente disso, pois excessos veremos em todo lugar, Outlander é a melhor série histórica/dramática/romântica de todos os tempos !! Não julguem antes de assistir. Altamente recomendada ! Lindo ver o amor e a cumplicidade do casal protagonista !!

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  13. Ok, poderia ter sido feita com uma releitura do livro no que diz respeito a quantidade de estupros. Porém, não foi. Independente disso, pois excessos veremos em todo lugar, Outlander é a melhor série histórica/dramática/romântica de todos os tempos !! Não julguem antes de assistir. Altamente recomendada ! Lindo ver o amor e a cumplicidade do casal protagonista !!

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