na cabeceira

literatura & diarices

Please to meet you

back when we were still changin' for the better
wanting was enough
for me, it was enough

(august - taylor swift)

(Esta é a edição #1 da minha newsletter, que achei legal publicar aqui uns dias depois porque sim. Se você quiser se inscrever para receber as próximas edições diretamente pelo e-mail, basta clicar aqui.) 

Caso não me conheça e tenha assinado no impulso, uma pequena apresentação: oi, eu sou a Mia, tenho 27 anos, sou jornalista (e editora e revisora e analista literária e colagista e mais um monte de coisa porque não existe isso de ser uma coisa só hoje em dia, risos nervosos). Escrevo sobre literatura, cinema, cultura e sobre a vida.


Fiquei 3 dias sem dormir, aí dormi quase direto por um dia e meio. Nesse intervalo, criei uma playlist, cortei a franja, chorei horrores, gritei pela casa e li quase nada - mas assisti a True Blood (de novo) e a uns desenhos. Fiz reuniões, falei mais do que costumo e entreguei uns freelas enquanto fazia tantos outros.

Eu sou a pessoa mais tapada que conheço no quesito emocional. Quase nunca faço ideia do que estou sentindo - e também parto do princípio de que ninguém vai com a minha cara porque a minha autoestima é quase nula. Isso acaba resultando numas situações ridículas de pessoa-que-gosta-de-mim-mas-só-percebi-anos-depois-pois-acho-impossível-alguém-me-gostar ou não-sei-o-que-estou-sentindo-a-respeito-disso-vou-tirar-umas-semanas-aí-pra-pensar e aí acabo dando um sumiço porque ~~processar sentimentos não é bem comigo. Isso também afeta a minha escrita. Escrevo sempre, mas devagar. Esta newsletter, por exemplo, está sendo escrita há mais de um mês. Mas tem tanta coisa acontecendo que às vezes é difícil parar para escrever - ou para sentir meus sentimentos e saber colocá-los em palavras. Então, a periodicidade disso aqui vai ser desse jeitinho, um espírito livre, mas tentarei atualizar pelo menos uma vez por mês.

Eu já tive duas newsletters e odiava ambas. Não que as odiasse de fato, mas teve um momento em que newsletter foi moda e todo mundo tinha que ter uma. Quis experimentar, mas a experiência acabou sendo eu mandando e-mail pra um monte de gente que não conheço e que jamais me respondeu. Fiquei meio triste porque acho que o legal da newsletter é, ou deveria, ser esse canal de comunicação mais direto e informal. Aí desanimei e voltei pra o bloguinho, que segue firme e forte. Mas a Michelle fez uma newsletter recentemente e levantou um ponto bacana no twitter: uma news pode servir para divulgar o que a gente escreve no blog e em outros espaços. Eu gosto disso. Sou uma dessas pessoas meio avessas a se autodivulgar. A gente vive numa era de autopromoção e quem não o faz acaba esquecido. Ninguém quer ser esquecido, convenhamos. Mas eu não sei direito falar sobre mim em redes sociais e mostrar a cara e fazer networking e ficar toda hora dizendo "gente, tem texto novo, olha o que eu escrevi", sabe? Acho meio chato. Coloco um link quando sai algum texto como se pedisse desculpa e já saio correndinho do twitter por horas, às vezes dias, por causa da ansiedade.

Lembro que um professor me disse, isso nos primeiros semestres da faculdade, que o jornalismo hoje em dia é sobre vender o seu peixe. Você precisa saber se divulgar, ser o empreendedor da sua carreira. Esse professor é um querido e certamente estava apenas tentando me ajudar, mas eu realmente sou a pior pessoa para isso. Embora reconheça a importância de fazer uma boa rede de contatos e se divulgar, além de ter vergonha também não quero expor as minhas redes privadas dessa maneira. Não quero que o meu twitter seja o meu trabalho, sabe? Quero poder chegar lá e dizer que fiz um macarrão excelente e compartilhar receitas ou falar que meu deus do céu, como diabos aqueles Tudors não lavavam as roupas???? Coisas simples. Ser empreendedor da própria carreira é um caminho sem volta que te deixa com uma ansiedade perpétua e com a impressão de que não há espaço no mundo que não sirva ao capitalismo - até o seu sono é vendido em nome da produtividade.

Mas divago.

Esta não é uma newsletter de empreendedorismo da carreira, plmdds. É apenas um espaço para falar sobre a vida e divulgar meus textinhos e coisas legais que li por aí sem me sentir tão envergonhada, partindo do princípio de que todo mundo que está aqui realmente gosta de ler minhas coisas. Que bom, fico feliz ♥


Como todas as boas playlists, essa é sobre amor. Ou ao menos era para ser. A ideia surgiu em mais uma noite insone em que eu estava sentindo sentimentos e ouvindo Linger pela centésima vez. Aí resolvi montar uma playlist chamada feelings - mas no meu coração ela sempre vai se chamar corno internacional.



Eu amo fazer playlists, é uma das minhas coisas favoritas. Lá no meu perfil no Spotify vocês vão encontrar algumas. Inclusive essa que coloquei acima (se o player não aparecer, clique aqui para acessá-la). Ela conta uma história - que é bem banal, bem comum. É uma história de desencontros, de sentimentos conflitantes, de momentos de calmaria e momentos de "eu gostaria de te odiar". Quando a comecei, era sobre uma coisa. Agora é sobre outra. Porque existe algo em fazer uma canção sobre um sentimento. Linger, por exemplo. A ideia de um pacto romântico, um acordo entre duas pessoas que acabou sendo rompido por motivos não explicados exatamente. Isso é algo que acontece. E a dor disso, a confusão, é uma experiência universal. Contudo, cada pessoa a sente e a expressa de um jeito. Nessa playlist, há 15 jeitos diferentes de dizer a mesma coisa. Gosto da seleção de músicas e acho que serve muito bem tanto para quem está se sentindo, digamos, um pouco triste, quanto para quem simplesmente quer ouvir umas boas músicas.


Ainda na editoria "coisas que eu fiz", escrevi alguns textos. Não gosto de me autopromover, mas gosto de escrever, especialmente depois que fiz um acordo comigo mesma de que só escreveria sobre coisas com as quais eu me importasse. Escrever apenas para fazer número não é do meu estilo e não gosto de forçar um processo de escrita apenas porque preciso publicar com regularidade x. Ou seja, não tenho escrito tanto, mas tenho gostado do que escrevo. Espero que vocês gostem também. :)

Lá no Querido Clássico, escrevi "Heathcliff era negro? Raça e classe em O Morro dos Ventos Uivantes". Foi na semana do aniversário da Emily Brontë, o maior gênio literário que já existiu - na minha opinião. Sempre embranquecem o Heathcliff em adaptações, distorcendo a história, o que me incomoda demais. Aproveitei para pegar várias coisas que estudei ao longo dos anos, na minha pesquisa, e escrever direitinho sobre a questão da etnia no livro. Também escrevi "O Morro dos Ventos Uivantes não é uma história de amor", um artigo sobre algo que falo há anos porque realmente irrita: não tem história de amor ali, pelo menos não entre Cathy e Heathcliff. Quem vende esse livro dessa forma está fazendo um desserviço tanto para os leitores, que vão esperando um Orgulho e Preconceito e se deparam com racismo, ódio, vingança e necrofilia, quanto para a própria Emily, que deixou bem claro que não tem nada de romantismo - no sentido história de amor da coisa - ali, criando uma narrativa complexa e intrincada sobre tantos erros sociais e como as violências criam cenários de verdadeiro horror. Mas, claro, uma mulher daquela época só pode ter escrito sobre amor, não é? Lá no Delirium Nerd, escrevi com a Juliana e a Vivian sobre Rua do Medo, a trilogia de horror que estreou no mês passado (????). É um texto bem cheio de sentimentos, pois todas nós gostamos dos filmes e da história - que, sim, é uma história de amor!!!! Mas também é um monte de outras coisas. No blog, Na Cabeceira, escrevi "Sombra, ossos e bons vilões", um texto sobre como a Trilogia Grisha constrói muito bem a ideia de vilões e não é à toa que a gente gosta tanto assim do Darkling.

Tem vários outros textos que escrevi durante julho, mas não publiquei ainda. Tenho me demorado mais para escrever e publicar, deixando o texto descansar um pouco antes de apertar o botão de publicação. Então, foram só esses mesmo por enquanto.


Leio bastante coisa pela internet e quero recomendar algumas para vocês. A começar por textos que saíram no meu site, escritos pelo nosso queridíssimo time de redatoras.
E aqui estão outros textos, fora do QC, que são bem bacanas para ler.

A vida continua uma bagunça e o tempo não significa mais nada para mim. Eu honestamente não sinto mais os dias passarem, é bizarro. Mas seguimos, né. Agora, com uma franjinha - o que foi total um surto, não tinha franja desde que era criança e agora tenho uma curly bangs energy. Numa bela manhã olhei para o lado, vi a tesoura que tenho desde os meus oito anos, pensei "por que não?" e, ó, ficou bom???? Gostei.


Dúvidas, reclamações, simplesmente querendo escrever um longo e-mail sobre que diabos está acontecendo com o mundo? Estamos aqui pra isso. Como sempre, é possível me encontrar no meu twitter, instagram, blog e no Querido Clássico (e suas redes).

Don't be a stranger, 

Mia

1 Comentários

  1. Teve um momento que eu assinava praticamente todas as Newsletter que eu via na frente... A ponto de encher a minha caixa de e-mail. Sou péssima leitora, quando trata-se de e-mail´s não consigo ler nem a metade das Newsletter que assino. Então, leio somente os blogs quando atualizam...

    Milla|www.expressoliterarios.blogspot.com

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