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Uma aposta irresistível, de Tessa Dare


Uma aposta irresistível é o 14º livro que leio da Tessa Dare. Todos neste ano. Sim. 

Eu disse no post sobre o balanço das leituras do ano que os livros da Tessa Dare têm sido a minha única alegria literária em 2021 - e eu não estava brincando. Em meio às minhas muitas leituras obrigatórias, sejam por trabalho ou por trabalho que arranjo para mim mesma (aka clube do livro), ler as histórias da Tessinha é sempre maravilhoso. Estou triste, portanto, que este é o último - e mais recente - livro traduzido dela para o português. Agora, só em inglês, ou esperar a tradução, o que não estou disposta a fazer. 

O enredo 


Uma aposta irresistível é o terceiro volume da série Girl meets duke, publicado pela editora Gutenberg com tradução de A. C. Reis, e conta a história de Lady Penelope Campion, uma jovem peculiar. Embora uma Lady, filha de um duque ela mesma e, portanto, parte da aristocracia britânica, Penny se refugiou em sua vida tranquila rodeada por suas amigas, as também excêntricas Emma, Alexandra e Nicola, e seus muitos animais de estimação. Um boi Highland, uma cabra, uma lontra, uma porco-espinho, um cachorrinho cadeirante, uma papagaia e mais de uma dúzia de gatinhos são alguns dos animais que se encontram na casa de Penny. Não é algo que se esperaria de uma Lady, morando em Londres, solteira e, tecnicamente, ainda disponível para casamento. Mas Penny não espera viver um romance, apenas quer salvar animaizinhos e cuidar das amigas. 

Contudo, certo dia sua papagaia foge e ela entra sorrateiramente na casa ao lado para resgatá-la. Sabendo que não havia ninguém morando lá, já que a casa havia sido vendida e estava em reforma, Penny achou que não haveria problema em pegar a antiga chave que os donos anteriores tinham deixado com seus pais - em caso de emergência -, entrar, pegar a papagaia e ir embora. Mas é claro que as coisas não aconteceriam dessa maneira. 

Penny deu de cara com um homem - um homem grande! molhado! vestindo apenas uma toalha na cintura! -, aparentemente o dono da casa, que acabara de mudar-se. O constrangimento foi imediato, assim como a atração mútua. Mas ela insiste em permanecer até pegar a papagaia e ele, por sua vez, insiste em acompanhá-la até sua casa - para que nenhum escândalo aconteça que arruíne a reputação da Lady e, dessa maneira, as chances dele de vender a casa por um preço estratosférico para algum novo rico que deseje morar perto de alguém da aristocracia e, assim, aumentar seu valor social. 

As emoções 


É difícil descrever o que sinto ao ler um livro da Tessa Dare, mas basicamente: alegria genuína. Porque suas histórias são cativantes e bem escritas, com personagens verossímeis e interessantes. Penny é um amor de pessoa, mas desde o início percebemos que há algo quebrado nela. Como alguém que passou por uma situação semelhante a que ela sofreu no livro, conforme ia lendo e me identificando com certos comportamentos e respostas que ela dava, fiquei feliz ao perceber que Tessa Dare realmente fez seu dever de casa e tratou um tema complicado com sensibilidade e realidade. 

Outro tema espinhoso, que não costuma aparecer tanto em romances históricos, é o da pobreza. Gabriel Duke, o homem que comprou a casa ao lado, é alguém riquíssimo, mas sem título. Nascido na pobreza e criado em um orfanato, Gabe cresceu acreditando que não havia espaço para ele no mundo, muito menos para o amor. A maneira como a questão da pobreza, da rejeição, das dificuldades do mundo real, fora o luxo aristocrático, é retratada na história realmente dá camadas interessantes e emocionantes a uma personagem que talvez, de outra maneira, fosse apenas mais um herói romântico. 

O relacionamento entre Penny e Gabe começa por uma atração física, mas logo passa a ser sobre ser quem se é e sentir-se confortável e aceito pela outra pessoa. Não é sobre ser perfeito, mas sobre existir sem pedir desculpas. 

Importante: não é preciso ler os outros dois livros da série para entender esse; as histórias, embora tenham personagens secundárias em comum, são independentes. Mas eu encorajo a todos que os leiam, pois são excelentes. 

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